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In... prensa

Olhares sobre a comunicação social... "posso não concordar com nenhuma das palavras que disser, mas defenderei até à morte o seu direito de as dizer."

Shame on you.... New York Times

por mparaujo, em 15.06.19

Há quatro anos, 7 de janeiro de 2015, o mundo (ou parte dele) sobressaltava-se com um dos maiores atentados à liberdade de expressão e à liberdade de informação: o massacre de 10 elementos da equipa do jornal satírico Charlie Hebdo (num total de 12 mortes e 11 feridos), perpetrado por 2 islamitas. Por esse mundo fora "Je Suis Charlie" tornou-se uma mensagem viral. Muitos, como eu, mesmo não gostando da linha editorial do jornal (ou do próprio jornal) não podiam deixar que um dos direitos fundamental da existência humana e alicerce da democracia e de uma sociedade livre fosse barbaramente atingido: "posso não concordar com o que dizes mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-lo" (Evelyn Beatrice Hall... falsamente, Voltaire).
E tal como eu, também o The New York Times, deu voz, corpo e imagem, a esta revolta pelo massacre em Paris.

Volvidos quatro anos, há pouco mais de um mês (em abril), surgia uma estéril polémica, curiosamente sob a pena e assinatura de um português: o cartoonista do Expresso, António (Cartoon do António). O jornal americano publicava um cartoon de António no qual, este, retratava a ligação e relação dos Estados Unidos da América (concretamente a Administração Trump) e Israel. Surgiram reacções intempestivas à publicação da caricatura que, nesta semana, culminaram com o The New York Times a tomar, claro e opcional, partido das críticas de "anti-semitismo e ofensa grave ao judaísmo". Depois de retirar o desenho das páginas do jornal, a direcção do diário norte-americano decidiu agora deixar de publicar, nas edições nacionais e internacionais, cartoons editoriais.

Afinal, António tinha toda a razão... o The New Yor Times sucumbiu à pressão de Trump, aos perigos da censura e da ditadura, e de quem atenta contra a liberdade.

Esta semana, começou muito mal, "pessimamente mal", para a liberdade de informação (que é muito mais que as notícias... também é imagem (fotografia) ou desenho), liberdade de expressão e para a democracia.

Shame on You... The New York Times.
JE NE SUIS PAS... NEW YOR TIMES!

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(créditos da foto de base: Angela Weiss / AFP / Getty Images, in axios)

Nasceu um novo projeto comunicacional... da Região de Aveiro para o Mundo

por mparaujo, em 09.03.19

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Não é favor nenhum... é o reconhecimento público da coragem para abraçar e fazer nascer um projeto numa área considerada de risco, como é a comunicação social (ou até mesmo só comunicação).

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Mas a verdade é que a jornalista ilhavense Maria José Santana soube, e bem, aliar a experiência profissional (Terra Nova, Diário de Aveiro, atualmente jornal Público), o saber e conhecimentos adiquiridos, e a vontade de fazer diferente, novo e arrojado.

Há cerca de uma semana nasceu a "revista digital" AveiroMag, sobreviveu ao 1.º teste do nascimento "APGAR", afirmando-se com um espaço de comunicação com capacidade de crescimento, como um projeto que quer ser uma referência regional e nacional.

A AveiroMag é uma magazine online generalista e de âmbito regional, apostando em conteúdos relacionados com factos/notícias/histórias e figuras da Região de Aveiro, com um olhar sempre atento e crítico ao pulsar da região. Porque a Região "vende", atrai, cativa e tem um enorme potencial para ser descoerto e comunicado.

Deste lado, estará sempre um olhar solidário (e também atento) com a AveiroMag e a Maria José Santana.

R.I.P. Yannis Behrakis

por mparaujo, em 03.03.19

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(créditos da foto: Jonathan Konitz, in Ouest France)

Dizem que o olhar de uma objectiva fotográfica, cada imagem que produz e revela, cada retrato da realidade, vale mais que 1000 palavras.

Desconfiando do valor numérico, não raras vezes, a maior parte das vezes, uma imagem é suficientemente forte para nos transportar para contextos, conceitos e realidades vividas.

No caso, o fotógrafo grego Yannis Behrakis mostrou ao mundo, a todo o mundo, ao serviço da agência Reuters, a trágica vivência dos Refugiados, valendo-lhe (e bem) o prémio Pulitzer, em 2016, depois de ter vencido o "World Press Photo", em 2000, o prémio "Bayeux-Calvados", em 2002, e ter sido reconhecido fotógrafo do ano de 2015 para o jornal britânico "The Guardian"

Mas Yannis mostrou ainda mais ao mundo, do profundo e triste mundo: cobriu vários cenários de guerra (por exemplo, no Afeganistão ou na Serra Leoa) ou situações de revolução política e social como a Primavera Árabe, no Oriente Médio e no Norte da África.

Yanni Behrakis "disparou, pela última vez, o obturador da sua máquina", hoje, aos 58 anos.

O fotojornalismo perdeu um permanente olhar crítico e atento do Mundo.

Quando uma porta se fecha, há sempre uma janela que se abre

por mparaujo, em 06.01.19

Sempre achei o dito popular uma metáfora interessante como motivadora de uma esperança perante momentos menos positivos. Mas sempre achei também que a concretização realista da mesma dependia mais da vontade, do querer, da ambição, do empenho pessoais, do que da mera ocasionalidade ou sorte.

Hoje, deparei-me na imprensa (Observador) com a concretização deste contexto.

Foram mais de 20 anos de profissionalismo enquanto especialista sobre temática religiosa no jornal Público. Incompreensivelmente, dispensado, em 2013, do jornal onde esteve desde a sua fundação, foi, posteriormente, distinguido e galardoado com algumas referências e prémios.
Na "travessia do deserto", manteve sempre uma excepcional resilência, numa profissão que atravessa momentos complexos e complicados, através de projetos individuais e da publicação de vários livros como autor ou coautor.

Há quase 40 anos que foi uma presença no meu crescimento... pela amizade, pelas referências comunicacionais, culturais, musicais, religiosas, sociais e humanas (um bocadinho ao lado nas políticas, mas é a vida...). Destes, houve cerca de 5 anos de convivência intensa, diária, permanente... lado-a-lado.

Amanhã, o António Marujo vai abraçar um novo projecto. Vai dirigir o jornal digital "Sete Margens", dedicado às religiões, à cultura e à espiritualidade. E só pode, assim o espero, ter o maior sucesso. Até porque, e concordando perfeitamente, tal como ele afirma neste entrevista ao Observador, «(...)em Portugal o fenómeno tem sido marginalizado nos grandes media. Até paradoxalmente, porque sabemos que há muitas matérias religiosas que trazem leitores e espectadores aos meios de comunicação». Ou ainda, porque «o fenómeno religioso, num sentido muito lato, é uma dimensão muito importante quer na vida das pessoas, individualmente, quer na realidade política, cultural e social dos povos».

Obviamente, o setemargens.com tem já um leitor assíduo e atento.

Forte abraço, António.

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De um criticável "erro de casting" aos moralismos da treta...

por mparaujo, em 06.01.19

A polémica estalou, marcou-se a agenda mediática, relegando para segundo plano a substituição do treinador do Benfica ou a recente tomada de posse do presidente do Brasil. O tema centra-se no programa "Você na TV" (que suspendeu a rubrica em causa) da TVI.

Em causa estão dois contextos: a presença de um líder de uma organização de extrema-direita (condenado por vários crimes de ódio e homicídio, por exemplo) e a pergunta colocada a público "Faz falta um novo Salazar?".

A sempre defensável e importante, como garante da democracia, Liberdade de Expressão colide e contraria, de facto, com o argumento usado pela TVI. Ao dar voz e palco a uma ideologia e princípios programáticos que colocam em causa os mais elementares e fundamentais direitos, liberdades e garantias dos cidadãos e de um Estado de Direito contraria o argumento de defesa apresentado: o respeito pela "dignidade da pessoa humana e os direitos, liberdades e garantias fundamentais, não incitando ao ódio racial, religioso, político ou gerado pela cor, origem étnica ou nacional, pelo sexo, pela orientação sexual ou pela deficiência". Contrariamente, o que aconteceu foi um momento, pelo menos, de promoção do 'ódio racial, religioso, político ou gerado pela cor, origem étnica ou nacional, pelo sexo, pela orientação sexual ou pela deficiência'. Foi uma criticável opção editorial da rubrica do programa.
Além disso, a "sondagem" apresentada é, igualmente, lamentável. Felizmente, pelo resultado, são muito poucos os que gostariam de ver Portugal regressar a um patamar dispensável de pobreza, analfabetismo, isolamento internacional, de ausência de liberdade e de forte censura. Aliás, é incompreensível que a TVI tenha colocado a questão quando os seus directores bem sabem que, num hipotético regresso ao período pré 25 Abril, o canal de Queluz, muito provavelmente, nem existiria.
Estes são os factos e a avaliação crítica de quem até é um defensor das Liberdades, um constante "Je suis Charlie". Mas a verdade é que não deixa de ser criticável a opção tomada pela TVI.

Há ainda o outro lado da polémica: o "rasgar" das vestes de uma determinada esquerda que se acha, erradamente, a guardiã moral dos bons costumes e das liberdades. Tretas.

Antes dessa análise, importa ainda dar nota da triste posição do Sindicato dos Jornalistas sobre a matéria. O programa é de "entretenimento", sem carácter informativo e sem a presença de qualquer jornalista. Apesar do contraditório a que o convidado foi sujeito pelo apresentador Manuel Luís Goucha que, em alguns casos, superou muitos jornalistas "encartados". Era escusada a posição do Sindicato dos Jornalistas que mais não serviu para projectar e dar eco ao programa em causa.
Ainda a propósito, o envolvimento de um ministro do actual Governo, foi um enorme tiro no pé. Logo este Governo que ainda bem recentemente não teve a coragem política para, publicamente, criticar e exigir que a organização da "Web Summit" excluísse dos seus painéis a líder da extrema-direita francesa, Marie Le Pen. E quando há telhados de vidro convém ter cuidado com as "pedras" que se atiram ao "vizinho".

Mas a outra faceta é mais deplorável. O "rasgar das vestes" das vozes da esquerda, da estrema-esquerda, neste contexto, é algo que agonia, que dá a volta ao estômago.
E logo uma dita esquerda que ainda bem recentemente, em 2015, se regozijou com a coligação governamental do Primeiro-ministro Tsipras entre o Syriza e os conservadores "Gregos Independentes" estruturados na Nova Democracia.
Ou ainda a "outra" esquerda que quando lhe convém esquece-se tão facilmente da Coreia do Norte ou da Venezuela.
E já para não falarmos das FP25, ainda presentes na memória de muitos dos portugueses.
Tudo é mau quando não nos agrada... quando a "pimenta  no dito cujo dos outros é refresco". É este balofo populismo que faz crescer ou potencia estes extremismos que, infelizmente, vão povoando essa Europa fora (por exemplo, na Roménia que iniciou, no primeiro dia deste ano, a liderança do Conselho da União Europeia).
Lamenta-se que a tão ideologicamente moralista esquerda portuguesa não perceba que, apesar de tudo, é preferível debater, combater e criticar, os extremismos (venham eles de onde vierem... são iguais, na prática) no espaço público da democracia, do que deixar que proliferem no caos e anarquia das redes sociais, com milhares e milhares de "olhares".

Parafraseando o grande filósofo português contemporâneo, Prof. Agostinho Silva, que afirmava a Liberdade como a mais importante qualidade do ser humano...

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Desejos para 2019? o fim das violações às Liberdades e Garantias

por mparaujo, em 01.01.19

Não sei se a Imprensa será, de facto, o chamado quarto poder. E muito menos se será um “poder”. Mas a verdade é que a Comunicação Social, por natureza e pela sua essência, tem poder e deve ter poder. Poder de relatar factos e dar notícias, transmitir conhecimento e informação, marcar e assinalar a história.

A Comunicação Social atravessa, nomeadamente nesta última década, contextos e realidades complexos, seja por força das alterações do paradigma comunicacional, seja por razões endógenas (sustentabilidade, profissionalismo, credibilidade), seja ainda por pressões externas que adulteram os impactos da Imprensa na sociedade (as “fakenews”, o caos da internet e da era digital). Mas a verdade é que um mundo sem Informação, sem Notícias, é um mundo obscuro, enigmático, falso, irreal. Por outro lado, não é possível conceber um Estado de Direito e uma Democracia civilizacional sem uma Comunicação Social sólida.
Além disso, a Comunicação Social é a guardiã da liberdade de expressão e de opinião. Direito Universal tantas vezes, demasiadas vezes, colocado em causa, violado, amordaçado.

Foi assim em 2018, um dos piores anos, desde 2006, para o Jornalismo e para os Jornalistas.

Em 2018, o número de jornalistas e outros profissionais da comunicação social mortos em assassinatos selectivos, bombardeamentos ou durante diversas situações de conflitos armados subiu para 94, mais 12 do que em 2017, segundo dados reunidos pela Federação Internacional de Jornalistas.
Já o número de jornalistas em prisão atingiu um número recorde em 2018: 251, segundo o Committee to Protect Journalists, organização sem fins lucrativos baseada em Nova York. Infelizmente, também se destaca o aumento de jornalistas detidos por divulgarem "notícias falsas" e que em dois anos passaram de nove para 28.

Por alguma razão, sublinhando estas tristes realidades, a "Time" escolheu, na sua última publicação, um grupo de jornalistas para a Figura do Ano a que chama de "os guardiões da liberdade", que foram presos ou assassinados durante 2018, pela sua "luta pela verdade": entre outros, Jamal Khashoggi, o jornalista saudita assassinado na embaixada da Arábia Saudita na Turquia, em outubro passado; os quatro jornalistas do jornal Capital Gazette que foram mortos a tiro num massacre na capital do estado de Maryland, nos EUA, em julho passado, por um homem que tinha processado a publicação e perdido o caso em tribunal; os dois jornalistas da agência Reuters, Wa Lone e Kyaw Soe Oo, condenados a sete anos de prisão, em setembro, acusados de terem revelado segredos de Estado, no decurso de uma investigação sobre massacres de muçulmanos rohingya; e ainda Maria Ressa, jornalista filipina cujo site “Rappler” foi processado por difamação pelo governo das Filipinas, após uma investigação sobre corrupção.

Fica o meu desejo para 2019… a valorização e defesa dos valores da Liberdade, da Liberdade de Expressão e Opinião, a Liberdade de Imprensa e Informação. Pela Verdade e por uma Verdade LIVRE.

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das Memórias... para sempre

por mparaujo, em 01.11.18

Independentemente das empatias, das simpatias ou do reconhecimento do valor profissional, a comunicação social (como a vida na sua generalidade) e concretamente a televisão, vive de referências e de rostos.

Aqueles rostos, no caso da tv, que marcaram gerações, programas e com os quais nos fomos habituando a ver (felizmente já a cores, embora ainda com "mira técnica" a encerrar emissões), a ter como companhia e como referência sempre que se ligava o botão.

Acredito ainda que para muitos profissionais da RTP no activo acresce a referência profissional.

A RTP perdeu hoje um desses rostos de referência: Helena Ramos.

Até sempre... na memória.

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Sinais de que tempo?

por mparaujo, em 22.09.18

São inúmeras as interrogações e reflexões que se exigem, nestes tempos muito peculiares, à Comunicação Social e ao papel do jornalismo.

Que futuro... Que plataformas e suportes... Que dinâmicas... Que exigências e condições profissionais... Que sustentabilidade... Que ética e deontologia funcionais... Que... Que... Que...

Fecham órgãos de comunicação social; têm sido dispensados (demasiados) profissionais; surgem novos projectos; questiona-se o rigor, a transparência e o profissionalismo; são vários os exemplos da precariedade laboral ou de excessivos valores remuneratórios; entre tantos outros contextos e outras realidades.

O mais recente caso surge na RTP com a contestação do valor salarial do apresentador Fernando Mendes perante um congelamento salarial de 9 anos, segundo a Comissão de Trabalhadores.

Neste contexto, apesar da notícia (já) ter dois dias ainda provoca um significativo conjunto de interrogações e reflexões.

Qualquer opção pessoal tem um cunho muito particular de individualidade, de algo privado. Mas quando tem um cunho público e um impacto mediático não deixa de desenhar, no mínimo, algumas interrogações.

Nunca me disse algo a vertente do jornalismo desportivo, mas sempre me habituei a ver no Carlos Daniel um dos rostos (felizmente há vários) importantes da informação da RTP.

Profissional desde 1989, jornalista dos quadros da RTP desde 1991 (com uma passagem de pouco mais de um ano pela SIC), "imagem" do Jornal da Tarde da televisão pública (entre outros programas como, a título de exemplo, o "Fronteiras XXI") não é fácil ficar-se indiferente à saída do jornalista da RTP para se tornar director de conteúdos do projecto televisivo da Federação Portuguesa de Futebol (curiosamente dirigido pelo Nuno santos, ex-director de informação da RTP) e que arrancará durante o primeiro semestre de 2019.

Serão sinais ou simples opção profissional pessoal?

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(fonte da foto: Quinto Canal)

 

25.º grito mundial pela Liberdade de Imprensa

por mparaujo, em 03.05.18

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Hoje, 3 de maio de 2018, registo para o 25.º Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, proclamado, pela primeira vez, pela Assembleia Geral da ONU em 1993.

Na génese da dedicação do dia 3 de maio a uma Imprensa Livre, ao direito a informar e a ser informado sem barreiras ou restrições, estiveram os princípios:

  • promover os direitos fundamentais da liberdade de imprensa;
  • combater os ataques feitos à comunicação social e impedir as violações à liberdade de imprensa;
  • lembrar os jornalistas que são vítimas de ataques, capturados, torturados ou a quem são impostas limitações no exercer da sua profissão;
  • prestar homenagem a todos os profissionais que faleceram no desempenho das suas funções.

O Secretário Geral das nações Unidas, António Guterres, tem, na sua declaração sobre a efeméride do dia de hoje uma expressão lapidar "uma imprensa livre é essencial para a paz", à qual podemos acrescentar que "uma imprensa livre é essencial para a sociedade", em todas as suas vertentes e dimensões.
Nos dias de hoje, as dimensões da existência humana e das vivências da sociedade e das comunidades não podem estar alheadas de uma Imprensa Livre e de uma Comunicação Social liberta.

Só nos primeiros quatro meses deste ano de 2018, os dados revelados pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) regista: 24 Jornalistas assassinados; 6 jornalistas cidadãos assassinados; 2 colaboradores assassinados. Actualmente, estão presos: 176 Jornalistas; 126 jornalistas cidadãos e 15 colaboradores.

O artigo 19.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos salvaguarda o direito “de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras”. São inúmeros os contextos e as formas de condicionar a liberdade de imprensa, de diminuir o direito a ser informado e a informar, de menosprezar a liberdade de expressão, que proliferam por muitos e muitos países nos dias de hoje.
A título de exemplo, no ranking mundial da liberdade de imprensa (RSF), liderado (mais uma vez) pela Noruega e onde Portugal figura no 14.º lugar (subiu quatro posições em relação ao ano anterior), há países da Europa em claro declínio e com caso graves de atropelo à Liberdade de Imprensa e ao legítimo papel dos jornalistas (ou do jornalismo), como são os casos da República Checa, Eslováquia e Malta. Até a nação que tem na sua primeira emenda (constituição) a defesa intransigente da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa, caiu, na Administração Trump, para o 45.º lugar.

A promoção do ódio e o permanente ataque contra o jornalismo; a contestação sobre a legitimidade e o papel do jornalismo; a morte, a intimidação, a prisão e o assédio aos jornalistas, são uma das piores ameaças para as democracias e para o equilíbrio da sociedade e das comunidades.

Mas o dia 3 de maio, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, também tem que servir para uma reflexão interna, para um olhar ao espelho da comunicação social e dos jornalistas. Se as forças externas que são exercidas sobre a profissão do jornalista e a missão da comunicação social são deploráveis, condenáveis e urgentemente eliminadas, também não deixa de ser um facto que a forma como o jornalista e o jornalismo exercem o seu papel, actuam na sociedade e nas comunidades, corrompem a credibilidade da profissão, deturpam a veracidade dos factos e das realidades, deve ser, em dia de homenagem a TODOS OS PROFISSIONAIS da comunicação social, motivo de profunda e séria reflexão.

Tal como referiu, hoje, António Guterres, um jornalismo livre contribui para a promoção da paz... sem esquecer o seu papel fundamental na defesa dos valores, princípios e direitos universais da condição humana e do desenvolvimento das sociedades.

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Não havia necessidade.... Expresso.

por mparaujo, em 07.01.18

Era mesmo escusado... porque há muitas outras formas. Aliás, esta não é de todo A forma, muito menos a melhor e mais correcta.

Uma indemnização, no seu princípio, não é mais do que uma compensação por um dano sofrido por incumprimento total ou parcial de uma obrigação não cumprida.

No caso de morte ela nunca é, nem nunca poderá ser, a reparação do dano porque não há nada que devolva a vida. E esta não tem, nem pode ter NUNCA, um preço.

Fazer da vida, ou, neste caso, da sua perda, uma mercantilização é, no mínimo, dispensável, por maior que seja o direito à minimização do impacto da perda da vida para os familiares de alguém.

Afirmar, num título de uma notícia que "32 mortes já têm um preço" é de muito pouco sentido ético e deontológico, no mínimo.

Não havia necessidade.

jornalisticamente correcto...

por mparaujo, em 20.10.17

politicamente certeiro.

A capa da revista da edição desta semana (19/10/2017) da revista Sábado tem gerado polémica e controvérsia significativa.

Ao contrário da maioria das "vozes" não encontro nada de errado na capa, seja do ponto de vista político, seja do ponto de vista jornalístico (e até sou insuspeito no que se refere à Cofina).

Mas a verdade é que os impropérios que têm sido dirigidos à Sábado não têm a minha concordância, antes pelo contrário. A lista é considerável, sendo que a maior parte (a maior mesmo) limita-se ao chavão do "jornalixo", da comparação ao cm e à cmtv, do uso do papel, do nojo do jornalismo, da conivência com a Justiça, da influência da direita (esta é cómica e surreal) no jornalismo... mas sem uma fundamentação ou uma sustentação válidas.

A Sábado limitou-se, pura e simplesmente, a recorrer (aliás o texto é incluído na capa) a uma expressão da ex-ministra Constança Urbano de Sousa que gerou, até dentro do próprio Partido Socialista, bastante contestação e que não foi indiferente ao sentimento partilhado por muitos portugueses num momento extremamente delicado e trágico. Algo que espelha a incapacidade, pelo menos publicamente transmitida, para a ex-ministra gerir um especial momento de crise.
A expressão usada pela própria Ministra, e que é retratada na capa da Sábado, é suficientemente forte para ser gerida em termos jornalísticos e informativos.
Recorde-se, questionada sobre o desenvolvimento da situação dos incêndios e a forma como o Ministério da Administração Interna, estava a lidar com a realidade, Constança Urbano de Sousa foi explícita: demitir-se significaria libertar-se da responsabilidade governativa e poder ir de férias (as férias que não teve).

A expressão é, politicamente, grave e infeliz mas não só em relação às vítimas, às pessoas e famílias que tudo perderam, à tragédia económica, social, territorial e ambiental que os incêndios, nestes quatro meses, provocaram.

Conhecida e divulgada publicamente a carta que a ex-ministra remeteu a António Costa (tal como refere, e bem, Paulo Baldaia num artigo de opinião publicado na edição de hoje do Diário de Notícias, onde acusa a ex-ministra de «mentir» - tomando as "dores da revolta" de muitos nem sei o que será mais forte, se a capa ou o artigo de opinião, concordando eu com os dois) a missiva revela uma falta de respeito pelos portugueses e pela situação e espelha a nítida incapacidade política da ex-governante de lidar com a pressão e com os acontecimentos, conforme a própria explicita.

A capa da Sábado desta semana é o espelho de um sentimento colectivo alargado na sociedade portuguesa, sem qualquer juízo de valor pessoal, com toda a veracidade dos factos, sem acusar a ministra de qualquer ligação ou acusação directa às mortes (como alguns afirmaram).

Não se afigura qualquer atropelamento da ética jornalística, bem pelo contrário.

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da estupidez profissional (e repetida)

por mparaujo, em 16.10.17

não há outro título... ou melhor, haver há mas fiquemos por aqui.

Entre tantas e outras coisas, entre tantos princípios, regulamentos, estatutos e legislação, o Código Deontológico dos Jornalistas refere no seu ponto 2 que «o jornalista deve combater a censura e o sensacionalismo (...)».

Isto para além do rigor e da exactidão da informação.

Transformar a notícia num showbizz é criticável.

Como não vejo, por razões já públicas e conhecidas, a cmtv a informação chegou-me às mãos por terceiros, fidedignamente. Sabendo que a situação foi repetida e explorada nos serviços informativos do canal.

Na região de Pedrógão Grande faleceram 64 pessoas em junho deste ano.

Ontem, segundo os dados da Protecção Civil, eventualmente em actualização, são já 27 o número de vítimas mortais na sequência do pior dia de incêndios neste ano.

Ver dois jornalistas, literalmente, a fugirem das chamas em pleno directo é tudo menos informação.

E para ser soft e recorrer ao eufemismo: é irresponsabilidade profissional, é crime colectivo, é espectáculo deprimente e deplorável.

No dia, espera-se que nunca chegue, em que alguma tragédia bata à porta de um destes profissionais, não venha o cm ou a cmtv, com lágrimas de crocodilo, chorar a morte de um profissional, tão novo, com família e não sei quantos filhos, em pleno serviço e pela causa pública.

Porque o "teatro noticioso" pode vender (o que até nem é bem verdade face às notícias que dão conta das dificuldades financeiras da Cofina) mas... será tudo menos informação ou jornalismo.

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A bandeirada da indignação

por mparaujo, em 28.08.17

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Independentemente da condição profissional entendo que perfis pessoais nas redes sociais são isso mesmo... Pessoais (a menos que expressamente identificados em contrário).

Antes de qualquer responsabilidade profissional existe uma cidadã ou um cidadão em cada um de nós, com deveres mas também com direitos, nomeadamente os de cidadania, de liberdade de opinião e de expressão. Excluamos, obviamente, contextos no restrito cumprimento dos exercícios profissionais.

Isto vale para médicos, professores, economistas, juristas, pedreiros, alfaiates, músicos e, imagine-se... Jornalistas.

A Rita Marrafa de Carvalho partilhou nas redes sociais, concretamente no seu facebook, a indignação que lhe causou o que deveria ter sido um mero serviço de transporte quando precisou de um táxi para se deslocar após ter chegado de viagem ao Aeroporto de Lisboa. Não vou tecer qualquer juízo de valor e muito menos juntar-me ao coro das críticas. A Rita Marrafa de Carvalho, maior e vacinada, tem o direito à sua liberdade de expressão e opinião, consciente e responsável (e consequentemente responsável).

Entre a proliferação massiva de gatinhos, frases pirosas de auto-ajuda, ocasos solares na praia, pézinhos na areia, por milhares de murais facebokianos, qualquer manifestação de indignação afigura-se-me perfeitamente normal.

O que já não me parece ser nada normal, antes pelo contrário, é a repercussão informativa e a republicação jornalística de tais momentos.

No próprio dia (25 de agosto), meras horas depois, o desabafo da Rita Marrafa era já notícia online no Jornal de Notícias na secção Pessoas. Nada melhor para, acto imediato, choverem logo as acusações à cidadã Rita Marrafa de Carvalho: "era algo mais que óbvio", que "a Rita não teve cuidado algum e foi irresponsável", "pôs-se a jeito", "era de esperar", "até tirou a matrícula ao táxi", "estava à espera de fama e mediatismo", ... . E não faltou a indubitável simbiose entre a cidadã e a jornalista.

O jornalismo, nos tempos que correm, é alvo das mais infames (e algumas vezes certeiras) críticas e das mais veementes acusações que resultam num público descrédito. Há que o dê como morto, há os que o vaticinam "em estado de coma" e há ainda os que não lhe auguram qualquer futuro sustentável. Uma das razões, entre muitas (e tão afastadas do IV Congresso dos Jornalistas) é sustentada e alicerçada na "concorrência" das redes sociais.

Posto isto, o que verdadeiramente lamento e me deixa preocupado (desiludido, embora nada surpreso) é que os mesmos que criticaram a Rita Marrafa de Carvalho e a sua publicação não tenham tido o mesmo espírito crítico para condenarem um jornalismo que sobrevive de notícias alimentadas pela própria diabolização: as redes sociais.

Mas quando os camaradas são despedidos, as revistas fecham e o futuro da comunicação social se acinzenta cada vez mais, a culpa é sempre de uma qualquer fantasmagórica realidade externa.

Os telhados de vidro são lixados...

por mparaujo, em 25.08.17

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Surgiu há cerca de dois dias uma polémica "profissional" onde se confrontavam dois pólos opostos face ao aparecimento e difusão de um vídeo do youtube promovido por extremistas islâmicos que apelavam ao terrorismo em nome de Alá. Logo surgiram os que entendiam que difundir o vídeo era uma questão informativa e os que condenaram a divulgação por entenderem que a mesma servia para promover o extremismo islâmico e o terrorismo.

O vídeo não tem, obviamente, lugar neste espaço porque entendo, como muitos, que a indiferença, o ignorar, o alheamento, o bloqueio, a essas mensagens e propaganda é o caminho mais indicado como contributo para o combate ao radicalismo islâmico e ao terrorismo que fomenta. A divulgação de mensagens e propaganda que espalha o terror, a morte, o extremismo, nunca pode, nem deve ser notícia.

Mas é aqui que surge outro problema, o outro reverso da medalha. Ao mesmo tempo não me posso colocar do mesmo lado da barricada dos que, como eu, condenam a divulgação do vídeo. É que alguns dos que militam nas fileiras da condenação da difusão da mensagem (que deveria ter sido proibida e banida pelo próprio Youtube) parecem esquecer o que foram estes dias desta semana inteira do pós-atentados na Catalunha: excesso de informação, massificação da notícia, repetição excessiva que leva à banalização informativa, para além da difusão de dados/elementos que apenas resultam na martirização dos autores dos atentados e de valorização do movimento extremista islâmico, como fotos dos autores/terroristas, imagens da dimensão física do atentado e dos impactos/vítimas, pormenores da preparação e execução dos atentados, pormenores escusados sobre as mortes ou capturas dos terroristas (para quê o pormenor do suposto sangue do terrorista morto pela polícia no meio do mato? O que ganha a informação ou a notícia com esse elemento?, entre tantos outros exemplos).

A sabedoria popular tem uma expressão que reflecte bem o mau serviço público que a informação presta sempre que há um atentado terrorista do daesh: "o que é demais cheira mal".

Alguns dos jornalistas que acusaram e criticaram camaradas seus pela divulgação do vídeo com propaganda terrorista deviam olhar um pouco para o contributo que prestaram à causa extremista islâmica com as coberturas dos atentados na Catalunha.

É que isto de haver telhados de vidro é uma chatice.

Não aprendemos... é escusado

por mparaujo, em 17.08.17

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Definitivamente e por teimosia. É triste ver o jornalismo transformado num mero debitar de informação desconexa e sem critérios ou com critérios duvidosos.

Já não basta a forma como a imprensa aborda a tragédia dos incêndios, concretamente com os directos que são realizados.

Hoje, há poucas horas, Barcelona (Espanha) sofreu um atentado terrorista depois de uma carrinha (com três ocupantes... dois estão em fuga e um barricado num restaurante turco) ter entrado, por 500 metros, num espaço pedonal e ter atropelado várias pessoas (para já - 18:15 horas, por fonte oficial, um morto e 32 feridos). Falta que as entidades apurem os motivos, quem são os autores (pelo modus operandi afigura-se que seja o Daesh) e apanhem os culpados.

O que não se percebe é que pela "milésima vez" a comunicação social mantenha uma incapacidade enorme em perceber que é possível informar e noticiar, com rigor e clareza, sem se cair no principal objectivo dos terroristas: mediatismo, publicidade, demonstrarem que é possível criar o pânico, o medo, a insegurança, cortar com a normalidade do dia-a-dia.

É assim tão difícil, tal como a polícia catalã o solicitou, que não sejam transmitidas imagens das vítimas, nem dos impactos do atentado?

É assim tão difícil perceber que horas e horas, repetidas e cíclicas, sobre os factos não traz e não acrescenta, por si só, nada de novo e relevante à notícia e à informação?

Não se aprendeu nada com exemplos passados... muito gostamos de errar... só porque sim.

Vem-me sempre à memória uma frase de um meu estimado professor universitário: "há uma colossal diferença entre o que é o 'interesse público' da informação e o que é o banal 'interesse do público' para a informação". Sempre.

(fonte da foto: Quique Garcia /EPA, in TSF)

Já não dá para conter mais...

por mparaujo, em 16.08.17

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Gostava tanto de evitar escrever isto... mas já não há volta a dar, não é possível manter por mais tempo o silêncio.

Por razões de formação tenho uma relação de profunda empatia pelo jornalismo, com um misto de frustração (assim mesmo, com esse peso semântico) por não exercer, directamente, a profissão.

Além disso, tenho, pelos profissionais e pelas redacções, o maior respeito, solidariedade e reconhecimento pelo trabalho que é desenvolvido, restando-me as críticas como forma de reflexão, como forma de análise, e nunca personificando qualquer contexto ou realidade.

Não posso é permanecer indiferente à forma como tem sido feito a cobertura do flagelo dos incêndios, nomeadamente pela forma como alguns, repito alguns, jornalistas se têm exposto ao perigo, têm assumido uma postura completamente inconsciente, seja do ponto de vista profissional, seja do ponto de vista pessoal.

Um(a) jornalista com um fogo como pano de fundo, a escassos metros do local onde faz o directo; um(a) jornalista em pleno epicentro de um incêndio, mais preocupado(a) com o momento em que terá que fugir do que com a informação a dar; um(a) jornalista que passa a ser o foco da notícia durante minutos a fio, mais preocupado com a mangueira dos bombeiros ou com os medicamentos de uma idosa, esquecendo por completo (em directo) o seu papel de informar; um(a) jornalista a fazer de um directo um relato de futuebol... NÃO É JORNALISMO! PONTO!

Pode ser reality show, irresponsabilidade, mediatismo, divertimento ou entretenimento para massas, é transformar o jornalista em notícia... mas em NADA, em nada mesmo, acrescenta valor à informação, valoriza a notícia, é jornalismo. Antes pelo contrário.

Mais ainda... hoje ouvi uma repórter, em pleno "teatro das operações", em completo pânico, a revelar minutos depois que por milagre (?????) não houve vítimas. No dia, espero que nunca chegue, houver uma tragédia num jornal, rádio ou televisão, não vai faltar quem chore, quem lamente, quem diga que a profissão é um risco, que alguém faleceu no exercício do dever profissional. DESCULPEM... não me peçam para dar para esse "peditório".

Se um(a) jornalista sente, no momento e face ao contexto, a vontade, o impulso ou a necessidade de ser útil, de ajudar, de intervir, pousa o microfone, desliga a câmara e entra em acção. É simples (o que aliás já aconteceu com uma jornalista da RTP, por exemplo).

Há zonas de segurança perfeitamente enquadráveis, há postos de comando com informação suficiente e onde podem ser feitas as peças (em directo ou não), há mil e uma pessoas e entidades para entrevistar.

Jornalistas e Jornalismo disfarçados de "nadadores-salvadores" a saírem do mar ao jeito de baywatch (Marés Vivas) não é INFORMAÇÃO. Perfeitamente dispensável.

Não consegui resistir...

Não dá para assobiar para o lado...

por mparaujo, em 26.07.17

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Em toda esta deplorável, criticável e dispensável polémica em torno da discussão (que nunca deveria ser) do número e da lista das vítimas da tragédia de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra, a Comunicação Social não pode sacudir a água do capote e assobiar para o lado, no que respeita a responsabilidades.

Ao jornalismo os cidadãos requerem rigor, verdade, transparência, investigação, factualidade.
Apesar da ânsia e "sede" de alguns por determinadas publicações, dispensam-se as especulações, falta de rigor, manipulação de dados e factos, a falha de credibilidade na informação/notícia, a credibilidade das fontes, entre outros.

O Expresso levantou, precipitadamente, o "véu" da polémica, coadjuvado pela SIC e por muitos outros Órgãos de Comunicação.

Perante a suspeita da existência de mais vítimas mortais dos incêndios do Pinhal Interior à Comunicação Social cabia a responsabilidade e o dever de: confirmar a fonte (a falta de credibilidade da empresária em causa é significativa, face ao que é sabido e dado a conhecer); investigar a informação e os dados fornecidos; questionar as entidades competentes (por ex. Ministério Público e/ou PGR); reconhecer se a existência de mais vítimas mortais é um dado tão significativo para o que foi a tragédia que dispensa tantos minutos de televisão, tantas linhas e páginas de texto, tanto tempo de antena.

Para o cumprimento cabal da sua missão e do seu papel, a comunicação social teria visto reforçada a sua imagem e a sua importância se as questões se tivessem centrado no trabalho que a comissão independente de avaliação da tragédia tem para desenvolver; na falta dos apoios às comunidades e famílias; onde param as receitas angariadas; que acções já têm sido desenvolvidas para a recuperação das habitações, das empresas e da reflorestação; se anormalidade (possível) já se estabeleceu no dia-a-dia das populações afectadas (água, luz, comunicações); etc.; etc.; etc. Havia, infelizmente, há tanta coisa para averiguar no pós tragédia de Pedrógão Grande.

Mas não... teimosa e precipitadamente, Não. Foi mais fácil ir pela especulação e teorias da conspiração.

A comunicação social teve, neste caso concreto, responsabilidades nos tristes episódios políticos que se seguiram e que usaram como bandeira e confronto partidário a tragédia e a dor de muitos portugueses. Não dá para fugir com "o rabo à seringa".

Como estes incrédulos exemplos.

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31 anos... no stop. Ao serviço da informação regional

por mparaujo, em 12.07.17

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Há mais de trinta e um anos havia as rádios piratas (rádios locais) onde tanta gente, como eu, se iniciou nas lides da rádio, da locução, da técnica, do jornalismos, dos programas de autor (quase todos, aliás). Saudosamente: Emissora Voz da Bairrada (Oliveira do Bairro) e Rádio Oceano (Aveiro).

A 12 de julho de 1986 nascia mais uma, sem "baptismo", mas que seria a génese da Rádio Terra Nova.

Depois, há 29 anos, fez-se "luz" na legislação portuguesa e o governo de então (liderado por Cavaco Silva e como ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Oliveira Martins). Em plena véspera de Natal (de 24 de dezembro de 1988 a inícios de 1991) surgia a legislação e todo o processo que iria "legalizar" as chamadas rádios locais.

Infelizmente muitas silenciaram-se... Infelizmente muita da magia da rádio perdeu-se, principalmente da magia da chamada "rádio local"... infelizmente muitos abandonaram os sonhos.

Mas a Terra Nova resistiu a tudo e aos tempos... manteve-se fiel aos seus princípios, à sua génese e às suas origens. E nem os temporais a calaram.

Há 28 anos, durante cerca de dois anos e meio, fiz parte desta existência. Não sei se deixei lá alguma coisa, o mais certo e provável é nem haver memória disso (desporto, informação, programa de autor). Nem importa. O que importa mesmo é que foram dois anos e meio muito cheios, muito ricos, fantásticos.

Parabéns TERRA NOVA... que venham mais trinta e um anos de rádio, pela rádio, pela comunicação, pela Região, com o mesmo espírito "pirata".

Obrigado... com imensas e colossais saudades.

pelo "não fuzilamento" público... do jornalismo.

por mparaujo, em 20.06.17

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A propósito das duas notas que aqui deixei sobre os acontecimentos jornalísticos polémicos na cobertura da tragédia de Pedrógão Grande (Nem que fosse só por respeito... e também Ou há moralidade...).

Houve quem, legitimamente, se insurgisse ou se afastasse do que entende ter sido um linchamento público à jornalista Judite de Sousa.
Embora não concordando com a argumentação, percebo e aceito claramente, por uma questão de respeito e consideração por quem tem essa opção. E, também, porque há uma contextualização para essa posição motivada pelo que correu nas redes sociais e, até, na comunicação social.

Por força da formação e pela paixão que o jornalismo me provoca tenho o maior respeito e consideração por inúmeros, imensos, jornalistas. Uns conheço pessoalmente, outros para além disso sou amigo pessoal (alguns desde os tempos da escola), outros vou convivendo pelo contacto virtual, com outros fui-me cruzando por razões profissionais e há os que são referência profissional. São, felizmente para mim (valha-me isso), muitos, bons e exemplares. Com falhas, com erros, mas com muita coisa boa, com muito profissionalismo, com muito rigor e trabalho feito, e acima de tudo com carácter, com personalidade e humanismo, mesmo fora da profissão. Homens e Mulheres (ou vice-versa para não ferir susceptibilidades de género, as quais defendo). Eles sabem quem são, sabem que assim é, e é também desnecessário elencar nomes até porque iria sempre correr o risco de me esquecer de alguém.
Por isso tenho tanto receio dos "fuzilamentos" como das generalizações, o que me leva a três ou quatro considerações face ao que foi o despoletar de toda a polémica que envolveu o directo da Judite de Sousa na TVI:
1. Abomino o fuzilamento público mas, com em qualquer profissão e concretamente numa de exposição tão pública e mediática, o erro não pode estar isento de crítica. É diferente, eu sei que criticar é diferente de fuzilar... mas para além dos dispensáveis fuzilamentos houve também quem criticasse (daí a crítica às generalizações). Por um lado porque o erro, por ser algo incorrecto, deve ser apontado e referenciado e, por outro, para diferenciar e distinguir do trabalho excelente que tanto, mas tanto camarada, fez em Pedrógão Grande (e ainda faz). Não seria justo ficar apenas o registo de uma nódoa (à qual eu junto, a bem da verdade, a capa de ontem do JN e a referência que também fiz ao texto no Observador).
2. Além disso, não pode ser comparável o erro pela inexperiência, pelo stress ou pressão, por uma falha, por um lapso involuntário - há tantos e tantos exemplos - por um momento premeditado, pensado e consciente. Isso não é a mesma coisa.
3. O que eu também lamento, regressando aos fuzilamentos, é que tenha havido tanta alminha "expert no assunto" que não tenha percebido que é possível criticar (porque é legítimo criticar) sem ofender, sem misturar privacidade e intimidades, sem misturar contextos, sem estar a misturar alhos com bugalhos. No fundo, sem necessidade de juízos de valor (ainda por cima de carácter e de personalidade), apenas a crítica das acções profissionais. Houve demasiado "lixo", injúrias desnecessárias, atropelo à privacidade e intimidade que tanto se criticou.
4. Quem, e bem, se opôs e condenou o "fuzilamento" apelou ao perdão. Dizia alguém, um jornalista que muito prezo e respeito: «Quem não erra é um sortudo incrível. Quando errar, quero ter sempre a possibilidade de ser perdoado. Queres o mesmo para ti? Perdoa. Abraça no erro, cala-te no mérito. Faz de ti tolerante.» Perdoar não invalida que não se possa ou não se deva criticar. Antes pelo contrário.
Cair no erro qualquer um de nós pode cair. E??!! é levantar a cabeça, reconhecer o erro, saber olhar em frente e ter a capacidade para entender e aceitar lições... porque é com elas que se aprende a viver (e se vive melhor). E não foi o que aconteceu.

Aliás, o que a seguir aconteceu quando ficou conhecida a intenção da ERC de abrir um procedimento de averiguações foi pior a emenda que o soneto. O comunicado da TVI, pela voz (ou pena) da sua direcção de Informação, é surpreendente. Só agrava as críticas, só abre mais abre mais polémica. Mais ainda não presta o devido e merecido respeito pelos restantes profissionais quer da TVI, quer do jornalismo.

Não sei se a TVI recebe ou não lições de alguém. Sei, como é o caso da Judite de Sousa, que até dão lições (aulas, formação, etc.) o que não deixa de ser curioso. Acho que quem não sabe ouvir, quem não tem capacidade de aprender todos os dias, seja com a realidade e o trabalho do dia-a-dia, com a experiência, com a sabedoria dos outros e, ainda, com as críticas a que deve e tem que estar sujeito, perde o respeito, a consideração e a atenção. E uma televisão sem atenção do seu público deixa de ter qualquer sentido. Não me parece que a TVI o mereça e, muito menos, os seus excelentes profissionais (e são muitos, muitos mesmo).

Por último, basta percorrer páginas e páginas, resmas e resmas, de revistas e outras plataformas para percebermos que há profissionais da comunicação social que procuram ou promovem mediatismo paralelo ao exercício da sua profissão que, por si só, já é de uma exposição pública significativa. Não podem por isso esperar que tudo seja, em qualquer e todo o momento, só beijos e abraços. Há todas as condições para que se criem animosidades, indiferenças e críticas. Por isso, há que saber lidar também com esse lado cinzento da profissão e da exposição, seja pela abstracção, seja pela capacidade de encaixe ou de confronto. E nisto a Judite de Sousa tem, por diversas e distintas razões, que saber lidar por responsabilidade própria.

Ou há moralidade...

por mparaujo, em 20.06.17

Escrevi aqui, ontem, duas críticas a dois momentos de cobertura jornalística da tragédia de Pedrógão Grande: um trabalho no Observador assinado pelo jornalista Pedro Rainho e o directo da jornalista Judite de Sousa.

Face a um conjunto de críticas e de queixas apresentadas (desconheço se por profissionais da comunicação social ou por cidadãos, o que para o caso não será de todo displicente) a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) decidiu abriu um processo de averiguações e o Sindicato dos Jornalistas sentiu-se na obrigação de emitir um comunicado alertando para algumas acções menos correctas na cobertura dos incêndios.

Só me apercebi (depois de alertado para tal) da capa da edição de ontem (dia em que publiquei o texto acima referido) do Jornal de Notícias. Pelas mesmíssimas razões e porque não me move qualquer tipo de "perseguição" ou tentativa de juízo de valores pessoais aos dois jornalistas e, pelo mediatismo envolvido, muito particularmente à jornalista Judite de Sousa, fica aqui igualmente registado, pelas mesmíssimas razões repito, atropelo à ético e deontologia jornalística, o meu repúdio e pública condenação pela imagem usada na capa da edição de ontem do Jornal de Notícias.

Ou há moralidade...

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Nem que fosse só por respeito...

por mparaujo, em 19.06.17

Enquanto o texto para a edição de quarta-feira do Diário de Aveiro vai começando a ganhar forma (em jeito de rescaldo da tragédia de Pedrógão) importa, passados estes primeiro momentos de significativa carga emotiva, tecer algumas reflexões que não caberão (por não ser propositado) nas linhas do artigo para o DA.

Do ponto de vista jornalístico, seja no terreno em pleno directo ou em reportagem editada, seja em estúdio na rádio ou nas redacções, não é fácil o trabalho dos profissionais (sejam eles jornalistas, repórteres de imagem, editores, fotógrafos, ...) em cenários onde a carga emocional é extremamente elevada e a dimensão trágica da realidade muito significativa.

Mas principalmente por isso importa que a experiência, o profissionalismo, o saber, a precaução e a noção dos limites éticos e deontológicos, a capacidade para avaliar e discernir o que é interesse público e o que é "interesse do público", estejam bem presentes nos trabalhos jornalísticos que dão nota e notícia dos acontecimentos.

Salvo um ou outro pormenor, principalmente a tendência que há para a repetição, aquela pergunta deslocada do contexto (ou a que faltou fazer), a exploração mais ou menos acentuada de um determinado momento de sofrimento ou de lágrimas, o que li, o que ouvi e o que vi demonstraram, na maioria dos órgãos de comunicação social, um excelente e quase que perfeito trabalho informativo. Pelo menos os que consegui acompanhar, com mais ou menos regularidade: DN, JN, Público, TSF, Antena 1, SIC (os 2 canais), TVI (os 2 canais) e com mais frequência a RTP (os 3 canais mas principalmente a RTP3).

Veja-se, por exemplo, o que são as excelentes capas de três jornais de hoje (DN - jornal I e É Notícia)

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Mas não há bela sem senão... e a razão da reflexão prende-se com a necessidade de valorizar e enaltecer o exercício exemplar dos jornalistas que trabalharam com a tragédia deste fim-de-semana, nem que seja pela crítica ao que se entende como um péssimo exercício da profissão, um claro atropelo a tudo o que deve ser preservado, salvaguardado e cuidado na notícia e, ainda, uma manifesta falta de respeito pelos outros profissionais e pela profissão. Porque há limites... não vale tudo.

Dois (tristes) exemplos.

O primeiro que passou mais despercebido mas que não deixa de ser relevante da imagem do jornalismo que alguns, poucos, mas alguns, teimam em querer "queimar" e "incendiar", passe a metáfora face ao momento que se vive.
Houve, por todo o lado, de inúmeras formas, manifestações de solidariedade para com Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra. Do mais anónimo cidadão aos mais mediáticos. Um desses exemplos foi dado pelo treinador de futebol, André Villas-Boas, que através do facebook cedeu cem mil euros (100 mil euros) como contributo solidário para a tragédia deste fim-de-semana. Repito... 100 mil euros. Basta comparar, só por uma questão de dimensão do valor (vale o que vale), com os 50 mil euros com que a Caixa Geral de Depósitos, banco do Estado, abriu a conta solidária que está disponível para quem quiser contribuir. No entanto, houve quem, sob a "protecção" de uma "caneta e um título informativo" soubesse fazer tudo para que o jornalismo fosse posto em causa. O jornalista Pedro Rainho escrevia inicialmente que a doação do treinador português presentemente na China eram apenas de 100 mil euros face aos 16 milhões que auferia anualmente. Após as inúmeras críticas nas redes sociais o texto foi editado, passadas pouco mais que três horas, com a nota "Artigo editado às 23h para clarificar o sentido do texto". A única coisa clarificada foi a existência de um juízo de valor emitido pelo jornalista que o final do texto agora editado (último parágrafo) não esconde nem apaga.

O segundo caso afigura-se mais polémico, criticável e condenável, face ao mediatismo, à jornalista em causa e ao impacto que uma imagem, nomeadamente a televisiva, comporta.
Nada fazia perspectivar um deplorável desfecho no que tinha sido até então o trabalho informativo da TVI, concretamente com o excelente desempenho profissional dos jornalistas e demais profissionais (tal como na RTP e na SIC, diga-se por uma questão de justiça). A TVI, os seus jornalistas e, principalmente, o jornalismo não mereciam uma imagem tão baixa e tão escusada e dispensável. Nem o jornalismo, nem as vítimas e os seus familiares da tragédia em Pedrógão Grande. À Judite de Sousa, pelos anos profissionais, pela responsabilidade que tem na TVI e no jornalismo, pela própria vivência pessoal (não há como não referir esta realidade), exigia-se rigor, cumprimento ético e desempenho deontológico acrescido.
Era perfeitamente dispensável ver o jornalismo descer ao nível do que presenciámos com a jornalista em pleno directo junto a um cadáver de uma das vítimas mortais (o facto do corpo estar tapado não minimiza em nada o efeito) sem qualquer respeito pela dignidade da vítima e da dor dos seus familiares ou do sentimento colectivo que atravessava, no momento, o país. E como se isso não fosse, por si só, suficientemente grave e "criminoso" as palavras frias e cruas com que Judite de Sousa entrou por milhares de televisores são abjectas ("está aqui uma mulher" ou "está aqui o corpo de uma mulher", já não sei precisar).
À Judite de Sousa e/ou a alguém na edição da TVI bastava que a memória e o profissionalismo recordassem o ponto 7 do Código Deontológico (já para não falar no respeito, no bom senso e em muita outra legislação): "O jornalista deve (...) proibir-se de humilhar as pessoas ou perturbar a sua dor". Na mouche, Judite.

Untitled.pngImagine-se a revolta nas famílias, nos portugueses, no jornalismo e nos camaradas da TVI que viram todo o seu esforço e trabalho ir para o lixo (sim... porque isto é lixo).
Bastava o RESPEITO.

Falou-se demasiadamente em precariedade no último Congresso dos Jornalistas... ficou outra precariedade, a do rigor e da ética profissionais por tratar.

Editorialmente... a verdadeira dúvida

por mparaujo, em 06.06.17

Já fez correr muita tinta, muito teclado e muita reflexão. Mesmo assim, continua a persistência da dúvida deontológica quanto aos órgãos de comunicação social noticiarem ou não atentados terroristas.

Há um dado que é pacificamente aceite: os atentados terroristas, nomeada e principalmente, os relacionados com o estado islâmico e o seu radicalismo político-religioso, vivem do mediatismo das acções dos seus executores. Quanto maior for a desestabilização da paz social, do quotidiano e das rotinas, quanto maior for o medo gerado e a divisão na sociedade, mais fácil é ao daesh atingir os seus objectivos. Além disso, a mediatização dos factos e das ocorrências leva à manipulação da realidade com vista ao recrutamento de mais "voluntários" para a sua causa.

Estas são as premissas e os factos maioritariamente aceites.

Por isso, há quem defenda, pessoal e profissionalmente, que não devem ser noticiados os actos terroristas como forma de contrariar os objectivos dos extremistas e do radicalismo islâmico.

Por outro lado, há quem defenda que o direito à informação (informar e ser informado) deve ser preservado mesmo correndo os riscos acima descritos, acrescido de que a notícia serve igualmente como forma de demonstrar o sentimento de unidade das comunidades, a preservação (mesmo que com os abalos iniciais) da normalidade social e, acima de tudo, uma homenagem (justa) às vítimas inocentes de cada tragédia.

A par disto, há, e subscrevo esta corrente, quem defenda o meio termo, se é que existe. A defesa do direito à informação, a importância e o papel da informação e o superior interesse público (diferente do "interesse dos públicos", regista-se), tendo em conta algumas limitações (não impostas mas convenientes) que possam condicionar e limitar o mediatismo que favoreça os actos e os objectivos dos actos e do terrorismo, como, por exemplo, a identidade dos autores, a divulgação de pormenores da forma como o atentado foi realizado, pormenores das ligações ao extremismo islâmico, entre outros. Ou ainda... imagens das vítimas, dos estragos e dos autores dos atentados correndo o risco de os transformar em mártires aos olhos dos seus "pares".

Daí que me pareça diametralmente oposta a decisão editorial das capas de ontem do Jornal de Notícias e do Jornal I.

Era importante que o jornalismo reflectisse sobre isto porque o jornalismo tem as suas responsabilidades na sociaedade, as quais devem, pela ética e pela deontologia, serem preservadas sempre e em qualquer momento. Não tanto pelo caso que se apresenta, mas por tantos outros e de forma generalizada (ou bem direccionada): a falta de ética não pode continuar a servir para vender informação/jornais.

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R.I.P. Baptista Bastos

por mparaujo, em 10.05.17

Podemos discordar das suas opiniões e até não "morrer de amores" pela sua escrita (quer como jornalista, quer como escritor).

Mas não podemos alterar a história do jornalismo; não é honesto alterarmos a realidade dos factos (ou os factos e a realidade).

Baptista Bastos foi, durante décadas a fio, referência no jornalismo.

Primeiro, no jornal O Século e na RTP, pela sua contestação ao antigo regime.
Depois, desde o República, O Diário, a Seara Nova, a Sábado, a própria France Press, até ao Diário Popular, Diário de Notícias, Jornal de Notícias, Jornal de Letras, Expresso, Público, Diário Económico, TSF, Antena 1, terminando no Correio da Manhã e no Jornal de Negócios, pela sua permanente forma de estar "desalinhada" com o sistema e com os sistemas, com um sentido apurado de liberdade e de consciência.

Aos 83 anos, quando, segundo consta, se preparava para o registo escrito das suas memórias, Baptista Bastos só não conseguiu ser desalinhado com a morte. Fica o vazio...

RIP Baptista Bastos.

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(créditos da foto: SIC online)

 

Aberto, em Aveiro, ciclo workshops em Comunicação e Criatividade

por mparaujo, em 02.05.17

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O dia 29 de abril de 2017 fica como o registo e a marca do arranque da presença formativa, em Aveiro, da "Palavras Ditas", gerida pelo jornalista Nuno Azinheira e que conta com um número significativo de personalidades/profissionais de várias áreas de renome nacional.

Numa parceria com a instituição de ensino superior aveirense ISCIA (Departamento de Comunicação), o passado sábado abriu portas, com sucesso, ao primeiro dos cinco workshops que compõe este ciclo formativo que marca o primeiro passo da presença de um dos principais motores nacionais na formação em áreas abrangentes como a comunicação, criatividade, lazer e cultura.

Este primeiro momento contou com a presença de Luís Filipe Borges que levou os cerca de 15 participantes neste primeiro workshop a embarcarem, durante seis horas, numa experiência única no campo da comunicação, da escrita e da criatividade.

Já no próximo dia 20 de maio, data histórica, será altura para o registo do segundo workshop deste quinteto formativo com a presença em Aveiro de Gonçalo Morais Leitão, publicitário e responsável pelas promoções da RTP, com o workshop "Solta o Filho da Pub que há em ti", no ISCIA entre as 10:30 e as 17:30 horas.

O registo (histórico). Ou melhor, alguns registos...

(entrevista Rádio Terra Nova)

(vídeo Rádio Terra Nova)

E algumas imagens paparazzi...

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Catarina Canelas lança primeiro livro

por mparaujo, em 07.04.17

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Foi estagiária na TVI (2003), regressou há cerca de quatro anos depois de ter deambulado (no bom sentido) por terras da Ásia.

Nestes quatro anos a Catarina Canelas demonstrou a sua capacidade profissional e a forma desenvolta com que se entranha nas Grandes Reportagens e no jornalismo de investigação.

"A senhora dança?", "O lugar onde eu fiquei" (parte I e parte II) e "Um lar debaixo da ponte" são as três grandes reportagens da TVI com a sua assinatura, sendo que "Um lar debaixo da ponte" (com imagem de José Chorão e edição de Miguel Freitas) mereceu, precisamente há cerca de um ano (em abril de 2016), uma menção honrosa do Prémio AMI Jornalismo contra a Indiferença.

O arranque deste segundo trimestre e desta primavera de 2017 traz mais um momento de orgulho pessoal e profissional para a jornalista Catarina Canelas: o seu primeiro livro.

Com o título "A hora da partida" nas quase 200 páginas Catarina Canelas retrata e leva-nos a um passado doloroso para muitos, polémico e controverso para outros, anárquico para as estruturas políticas, administrativas e sociais de um Portugal confuso de 1974-1975.

Em plena Guerra Colonial angolana e no processo de indpendência de Angola meio milhão de pessoas retornaram a Portugal ou atravessaram ao Atlântico até terras brasileiras. Para trás ficou tudo ou quase tudo, mas principalmente uma enorme mágoa e dor. Pela frente um futuro incerto (apesar de tudo mil vezes preferível ao terror da guerra), o recomeço do nada, o dia-a-dia da sobrevivência, perante uma sociedade que teimou em olhar de lado para o regresso (o retorno) dos seus compatriotas.

Dia 20 de Abril, em Lisboa - FNAC Colombo, é o lançamento oficial do trabalho de investigação da Catarina Canelas, já disponível numa livraria perto de qualquer um de nós.

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O que está Estrela Serrano a fazer no Conselho de Opinião?

por mparaujo, em 01.04.17

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A interrogação poderia até ser mera retórica discursiva ou textual. Mas não é... acaba por ser uma questão pertinente e, simultaneamente, acusatória.

propósito das hostilidades para com a equipa de reportagem da RTP liderada pela jornalista Lavínia Leal e sobre a violenta e condenável agressão ao repórter de imagem, Ricardo Mota, factos ocorridos na passada quinta-feira à porta da Escola Básica dos Lóios, em Marvila (Chelas - Lisboa) a professora universitária, ex-vogal da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) e (ainda) membro do Conselho de Opinião da RTP, Estrela Serrano, publicou um texto de análise aos acontecimentos sob o título "O que foi o repórter lá fazer?".

O título do texto, por si só, desperta alguma curiosidade, muito por força do diabolismo que recai, injustamente, sobre toda a comunicação social de forma indiferenciada. (já que o Diabo tão proclamado por Passos Coelho nunca mais surge a imprensa vai pagando a factura). Mas depressa a curiosidade resvala, primeiro, para a estupefacção e rapidamente para a indignação, tal a inenarrável argumentação usada por Estrela Serrano para justificar (sim, repito... justificar) o deplorável acto da agressão.

Isto tudo porque, imagine-se, a RTP teve a ousadia de enviar uma equipa de reportagem (sim... com uma câmara e o respectivo profissional) até à referida Escola onde, supostamente, terá ocorrido um caso de violação de um menor por um colega.

Estrela Serrano usa todo um argumentário surreal de causa-efeito como se o uso de violência (em qualquer e todo o caso) sobre o repórter de imagem, Ricardo Mota, fosse resultado da presença da câmara de filmar, esquecendo todas as situações em que basta a presença de um microfone para despoletar todo um conjunto de reacções hostis (mesmo sem ser em situações de tensão).

A RTP limitou-se a cumprir a sua função como órgão de comunicação social, com o acréscimo de serviço público, face ao um acontecimento (os tais factos que movem o jornalismo) grave (violação entre menores ou envolvendo menores), num contexto de todo inesperado (uma escola). A jornalista Lavínia Leal falava com familiares do menor violado, investigando todos os factos, as descrições e as queixas que permitissem cumprir a sua função (e o direito, acrescente-se) de informar um facto que merece ser notícia pelo seu impacto (a violação de um menor de 9 anos por um outro de 12 anos. O repórter de imagem, Ricardo Mota, cumpria a sua missão: captar com rigor e profissionalismo o contexto e o trabalho da sua camarada jornalista. O que para Estrela Serrano acabou por ser notícia, a agressão ao repórter, foi, de facto, mas não por vontade da equipa de reportagem que acabou por ser impedida (isso mesmo... impedida a sua liberdade de informar) de cumprir e terminar o seu trabalho. Vir questionar por declarações dos directores da escola, de outros agentes ou pessoas, quando nem o primeiro momento (entrevista à mãe da criança violada) foi possível terminar é, no mínimo, um exercício adulterado e enviesado de análise crítica aos media e ao jornalismo que Estrela Serrano diz ser, há vários anos, o seu móbil profissional e a sua vocação.

Então o que é que Estrela Serrano coloca em causa, de uma forma completamente inusitada? Primeiro, coloca em causa o rigor da RTP e o profissionalismo do repórter Ricardo Mota quando levanta a suspeita de eventuais imagens de menores (algo que nunca aconteceu, algo que teria o filtro da editora Rita Ramos e da coordenadora Adília Godinho. Mais ainda, se por ventura tal acontecesse, face ao contexto e aos acontecimentos, nada justificaria, na mesma, a violenta agressão (ou qualquer outra agressão) já que existem mecanismos próprios (dos quais Estrela Serrano fez e faz parte) para agir sobre o erro do repórter.
Segundo, o que Estrela Serrano coloca em causa é (e isto é surreal) é a própria essência do jornalismo e de uma equipa de reportagem. Como é que alguém com responsabilidade no sector (seja pelo exercício da docência, seja pelo seu passado na ERC) coloca em causa um presença de uma câmara numa reportagem? Como é que a televisão "vive" sem a imagem? Passa a rádio ou a imprensa escrita? (e mesmo aqui importa destacar o papel da fotografia e do trabalho dos repórteres fotográficos? Como é que alguém responsável pode justificar uma agressão a um jornalista só porque lá se encontra uma câmara ou um microfone? Para Estrela Serrano «ahhhh e tal e coiso... o Ricardo Mota pôs-se a jeito». Pois... não devia ter saído de casa nesse, dia, devia ter ficado sossegadinho no carro ou até a própria Lavínia não tinha que ir lá, bastava telefonar às pessoas (hoje as chamadas de telemóvel são quase grátis). Até me parece mais óbvio que as equipas de reportagem de televisão passem a ir para o terreno apenas com um bloco, caneta e um telemóvel. Anotam/escrevem tudo e no fim tiram todos uma selfie.

É indescritível a argumentação de Estrela Serrano. O que dirá sobre o facto de muitos camaradas perderem, infelizmente, as suas vidas em serviço quando em cenários de guerra. Raios... puseram-se a jeito. Mas porque é que lá estava o jornalista?
Numa altura em que se fala tanto do nome do aeroporto da Madeira ou no respectivo busto, tomemos como exmplo as inúmeras situações de "aperto" pelas quais passam tantos profissionais aquando das transmissões de futebol. Mas porque raio está lá uma câmara numa transmissão de um jogo da bola?

Ou pior ainda, com as devidas proporções e respectivos distanciamentos: criticamos (e bem) tantas vezes a justiça pelas suas decisões em processos de violação pelos argumentos usados (alguns de bradar aos céus). Ora, usando o argumentário da Estrela Serrano: uma mulher foi violada... ora bolas, usava mini-saia.

A propósito, não se esperaria outra coisa: "Jornalistas da RTP exigem a demissão de Estrela Serrano do Conselho de Opinião". E não é por nos ter habituado, nomeadamente desde 2015, a dizer mal do jornalismo sempre que este não é favorável ao Governo ou o é em relação a Passos Coelho.
É tão simplesmente... porque nada justifica aquele texto e, muito menos, a sua argumentação. Como aliás, nada justifica, em momento e modo algum, uma agressão a um profissional da comunicação (com microfone ou com câmara ou simplesmente com um bloco e uma esferográfica).

Solidariamente... Ricardo Mota (RTP)

por mparaujo, em 31.03.17

rtp.io

(com uma nota também solidária para a jornalista Lavínia Leal)

Ontem, quinta-feira, 30 de março, uma equipa de reportagem da RTP, formada pela jornalista Lavínia Leal e pelo repórter de imagem Ricardo Mota, deslocaram-se até à Escola Básica dos Lóios, em Marvila (Chelas - Lisboa) para investigar e informar o país sobre uma alegada ou eventual violação de um menor por um outro colega da escola.

Chegados ao local, a equipa de reportagem da RTP viu-se confrontada com agressões verbais, insultos, por parte dos familiares do aluno suspeito da eventual violação, tendo mesmo terminado tudo com uma violenta agressão física ao repórter de imagem, Ricardo Mota, que teve que receber assistência hospitalar (apesar de nunca ter deixado de filmar).

Vários órgãos de comunicação social deram nota do condenável e criticável acontecimento (que, infelizmente, não é caso nem único, nem raro).

Comissão de Trabalhadores da RTP manifestou-se publicamente em defesa dos seus camaradas (e de muitos outros), o Sindicato dos Jornalistas repudiou os acontecimentos e a própria Administração da RTP vai avançar com uma queixa crime.

Também nas redes sociais, entre pares (e afins, profissionalmente ou por formação), têm surgido críticas, repúdios e condenações do abjecto acto.

Qualquer impedimento ao normal exercício de uma actividade profissional e das respectivas funções e missões é profundamente condenável. Mais ainda quando esse exercício profissional encarna a liberdade de informar e o direito à informação, como bem público, como serviço público, como alicerce de uma democracia e de um Estado de Direito.

Por isso, será suficiente, numa realidade como a vivida ontem pelo Ricardo Mota e pela Lavínia Leal, as posições públicas da Comissão de Trabalhadores, do Sindicato e do Conselho de Administração? Após o 4º Congresso dos jornalistas (com tantos representantes da classe, das direcções e das administrações) onde é que pára a solidariedade e o corporativismo profissionais entre os pares? Que posição concreta e de "força" foi tomada?

Mais ainda... onde é que está agora a sociedade civil tão preocupada com nomes de aeroportos ou concepções de arte em bustos e retratos, mas que corre atrás de um microfone e de uma câmara só para ter 30 segundos de fama? Será que apenas serve para criticar os momentos menos felizes que a comunicação social (de facto) tem em determinados momentos?

Além disso... é esta a podre democracia que temos. Uma democracia coxa, na qual o poder político só se lembra de um dos seus pilares, a comunicação social (livre e isenta) quando esta lhe serve os interesses e lhes justificam os meios.

Da minha parte, condenando e criticando os deploráveis acontecimentos, resta-me publicamente expressar a minha solidariedade com o camarada Ricardo Mota, extensivamente à camarada Lavínia Leal.

As opções editoriais

por mparaujo, em 28.03.17

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Não conhecendo, até porque não foram publicamente revelados, os pormenores que ditaram a decisão (não sei se unilateral ou não) do jornal Público, resta-me não entrar em suposições e demagogias mas lamentar o fim da relação profissional entre o jornal e a jornalista e escritora (seis obras em dez anos, uma das quais, em 2012 - E a noite roda - distinguida com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores e da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas) Alexandra Lucas Coelho.

É, a todos os níveis, lamentável, principalmente pela capacidade e qualidade intelectual da Alexandra Lucas Coelho (goste-se, concorde-se com ela ou não). Embora política e ideologicamente afastados, a escrita, a qualidade jornalística e a visão do mundo são, entre outras, características inquestionáveis da jornalista Alexandra Lucas Coelho.

Mas, ao contrário das vozes correntes, estas situações acontecem dos dois lados da "barricada" e não tem a ver com comunicação social da direita ou da esquerda ou do centro.
Essa, aliás, foi sempre uma discussão que defendi e que anda (e sempre andou) arredada do jornalismo. À semelhança do que acontece na comunicação social anglo-saxónica, a imprensa não necessita de ser isenta para ser precisa e rigorosa. Era tudo muito mais transparente e claro para leitores, espectadores e ouvintes, se os estatutos editoriais dos vários órgãos de comunicação social fossem claros e precisos nas suas linhas e orientações editoriais, posicionando-se, claramente, à direita, à esquerda ou ao centro, sem que isso implique partidarismos mas sim concepções e princípios. Era tudo tão, mas tão mais simples, claro e transparente, permitindo aos cidadãos perceberem o que lêem, vêem ou ouvem. Aliás, temos quase um exemplo prático disso mesmo com a Rádio Renascença.

Ficam aqui exemplarmente retratados 20 anos de ligação profissional ao jornal Público no seu último texto  e a respectiva despedida: "Último texto".

Solidariamente... com a Alexandra.

(créditos da foto: in Estante, revista FNAC)

Revelação de identidades

por mparaujo, em 23.03.17

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Tinha alguma esperança, com o passar das horas, que houvesse alguma mudança no paradigma do tratamento mediático dos atentados terroristas.

Entre outros factores de âmbito político-religioso os atentados terroristas (sob a bandeira do extremismo e radicalismo islâmicos) têm como objectivo criar o pânico, a divisão e a instabilidade (alteração da normalidade), nas comunidades europeias. Além disso, a procura de alvos/pontos que sejam símbolos e identidade das sociedades/comunidades europeias potencia um mediatismo aos actos que visa, claramente, a sua projecção e impacto nos defensores e seguidores da causa.

O excesso de cobertura informativa (som, imagem, texto) dos condenáveis acontecimentos só alimenta os objectivos dos autores e o mediatismo dos factos apenas serve para empolar e ampliar a causa do Isis. Torna-se imperioso que, entidades de segurança e governativas, e comunicação social encontrem um ponto de equilíbrio entre o legítimo direito à informação (liberdade de informar e de ser informado) e o referido mediatismo que reverte a favor de quem pratica os bárbaros actos.

Desde o início dos relatos e das notícias sobre o atentado em Londres que, após um ano sobre os acontecimentos em Bruxelas, vitimaram quatro cidadãos e deixaram mais de vinte feridos, muitos em estado grave (e que potencia o aumento do número de vítimas mortais), surgia a tal esperança de mudança de paradigma. Isto porque, hora após hora, face a desenvolvimento dos factos e da informação, era escondida a identidade do autor do massacre.

Afigurava-se, com isso, uma forma de minimizar os impactos mediáticos dos atentados. É que uma das características dos atentados terroristas é a martirização do ou dos autores, tornado-os bandeira da causa e dos objectivos do daesh, bem como um exemplo para futuros seguidores e convertidos.

Infelizmente, o autor do atentado em Londres perpetrado ontem viu tornada pública, pela polícia londrina, a sua identidade e referenciada alguma da sua biografia. Algo imediatamente mediatizado pela comunicação social.

Infelizmente, o mediatismo actual da ânsia informativa criou mais um mártir onde era escusado e, acima de tudo, dispensável e evitável.

Como provocar indiferença perante uma entrevista

por mparaujo, em 09.03.17

Quando me deparei com o título do Sapo24, «Promotor da conferência com Jaime Nogueira Pinto garante: "O movimento execra toda a forma de colonialismo"», pensei, num primeiro momento, tratar-se de uma notícia sobre o polémico cancelamento da conferência de Jaime Nogueira Pinto na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, aqui tratado.

Ao abrir a informação deparei-me como uma entrevista ao promotor do evento cancelado. A minha primeira reacção foi logo de torcer o nariz porque entendo que a questão está muito para além de quem promoveu ou deixou de promover.

No entanto, o que me chamou mais à atenção e me levou logo a desistir da leitura foram dois pormenores, por sinal, "pormaiores" da responsabilidade da jornalista que assina a entrevista.

Primeiro, o texto inicial, logo a seguir ao título e ao lead: "Tem simpatia por Salazar, mas não é salazarista.". Arrepiei-me, pensei duas vezes antes de continuar... para parar logo a seguir quando li «militou até há pouco tempo no CDS, partido que trocou pela Juventude Popular (...)». Aqui já não deu para esconder a desilusão e a decepção quanto ao valor da entrevista.

Não sei se por lapso, desconhecimento da matéria político-partidária ou propositado, mas são dois factos da responsabilidade da jornalista que retiram à entrevista uma grande dose de curiosidade do leitor.

Pessoalmente, parei ali.