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In... prensa

Olhares sobre a comunicação social... "posso não concordar com nenhuma das palavras que disser, mas defenderei até à morte o seu direito de as dizer."

Muito mal... Expresso.

por mparaujo, em 05.04.21

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Era escusado. Ou melhor... completamente a despropósito e desnecessário.

Com tantas "armas" apontadas ao jornalismo, com tanto que o jornalismo sofre de pressão (interna e externa), tanto que o jornalismo tem para se preocupar do que dar tiros nos pés (que mais parecem bazucas), torna-se indiscutível o redobrado cuidado na missão de informar.

E às vezes fica demasiado difícil deixar passar, tentar desculpar ou defender, tentar separar o "trigo do joio" no jornalismo, entre a ética, deontologia e profissionalismo e o chamado jornalismo de "buraco da fechadura", de "faca e alguidar" ou, mais recentemente, de "postigo".

A morte deveria ser, pela tragédia e vazio que transporta, um momento de dignidade, de respeito ou, na pior dos contextos, de indiferença... mesmo para com os que menos gostamos ou nem gostamos de todo.

No final da notícia publicada pelo Expresso, no seu site, ontem, 4 de abril (por volta das 08h00), que divulgava o falecimento do Presidente da Câmara Municipal de Viseu, António Almeida Henriques, surge este inenarrável parágrafo: «Em 2019, fora constituído arguido por suspeitas de dois crimes de prevaricação em negócios com o empresário José Simões Agostinho, no âmbito da Operação Éter. Simões Agostinho foi detido por suspeitas de corrupção e viciação de contratos do Turismo do Porto e do Norte de Portugal».
E nem a necessidade, volvidas cerca de 3 horas, de uma actualização da informação (início da data do luto municipal) fez soar algum sino na edição do Expresso.

Independentemente dos factos, que até nem estão completos já que, para além da referência despropositada à detenção de Simões Agostinho, nem sequer houve a preocupação de enquadrar o quadro judicial em relação a Almeida Henriques, o que é que a informação em causa traz de mais-valia à notícia e ao facto de Viseu, o PSD, o universo do Poder Local e a própria família estarem num doloroso pesar? Nada. Apenas "lixo".

Era mesmo escusado...

Os Dias da Rádio...

por mparaujo, em 13.02.21

idos... e os presentes.

13 de fevereiro - Dia Mundial da Rádio.

A primeira coisa que surge na memória:
Emissora Voz da Bairrada (1986/87) e a inesquecível noite de emissão no dia em que falecia Zeca Afonso (quase há 34 anos - 23 de fevereiro);
Rádio Oceano (1987/1990);
Rádio Terra Nova (1990/1992);
Rádio Às (2009/2010).

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Depois olhamos para o presente.
É certo que toda a comunicação social (rádios, televisões, jornais) tem sofrido desde há cerca de duas décadas, uma pressão muito forte que exige roturas, novos desafios e compromissos, mas, simultaneamente a exigência de manter, acima de tudo, o rigor, a ética e a sua principal função como um dos pilares fundamentais da liberdade, da democracia e de um Estado de Direito. Situação que, por diversas razões (da essência, da credibilidade, até às económicas), a pandemia agravou.
Cabe, neste contexto, a realidade da rádio. Sentenciada pelos arautos do paradigma das novas tecnologias e do universo da internet, a rádio ainda hoje conserva a sua magia, a sua posição relevante no jornalismo e na comunicação, sabendo, em muitos casos, recriar e encontrar novas fórmulas de sobreviver.

Cabe, nesta realidade estóica de sobrevivência, uma palavra muito especial e particular para as cerca de 318 rádios locais do país (incluindo as ilhas).
Herdeiros únicos das "rádios piratas" (a primeira grande escola da comunicação em rádio), estão para as comunidades e regiões da mesma forma e peso que está cada tecido associativo ou o poder local ou regional. São um dos motores do desenvolvimento, da coesão, da promoção dos valores culturais e sociais dos municípios e das regiões envolventes. Desempenham ainda um dos principais princípios da comunicação: o seu papel socializador, ao darem voz às comunidades e às suas múltiplas dinâmicas.

Apesar deste inquestionável papel na promoção dos princípios da liberdade, da democracia e do desenvolvimento social e cultural, INFELIZMENTE, hoje, um considerável número de rádios locais padece dos impactos negativos da pandemia, da falta de recursos humanos (muitas não conseguem garantir uma continuidade de programação de edição/produção), das mutações e novos desafios da comunicação e, principalmente, do abandono ou da desvalorização a que são votadas pelos poderes legislativo, governativo e económico.

Apesar de tudo... sobrevivem e são ainda um dos importantes pólos aglutinadores das vontades locais.

AINDA HÁ MAGIA NA RÁDIO... e haverá sempre.
Nem que seja nas memórias... como esta.

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(Luís Miguel Loureiro - Maria do Céu - Rádio Terra Nova... bem lá longe no tempo)

A COVID-19 "levou" um gigante do jornalismo mundial. R.I.P. Larry King

por mparaujo, em 23.01.21

De 1978 a 2010, foi um dos principais rostos e referências da CNN e do jornalismo norte-americano e mundial.

Com a sua saída do canal americano, fundou a produtora audiovisual Ora Media onde mantinha o registo de entrevistas que foi a sua marca profissional assente numa premissa que nunca abandonou, em momento algum: "uma pergunta é uma pergunta... curta, directa, concisa. Para que possa gerar respostas claras".

Aos 87 anos o “bicho” faz mais uma vítima, entre os mais de dois milhões de óbitos no mundo.

R.I.P. Mr. Larry King

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(créditos: WireImage)

Este país também é do Velhos e para os Velhos. O país e o JORNALISMO (com caixa alta e "em grande")

por mparaujo, em 20.12.20

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(créditos: Adriano Miranda - Público)

A edição de hoje (20DEZ2020) do jornal Público (papel e digital) traz-nos um exemplo SOBERBO do que é (e deve ser) o jornalismo: Porque escolhemos não ver os velhos?
(ao contrário das muitas vozes do "restelo" e dos arautos da desgraça, ainda há felizmente muitos exemplos... este é, entre outros, um claro espelho disso).
As palavras são da jornalista Dulce Maria Cardoso, o webdesign de Miguel Feraso Cabral e o registo fotográfico, que falaria (e fala) por si só, do Adriano Miranda (quem mais, obviamente?! 😀 ).
 
É um retrato de um país já por si envelhecido e de uma realidade que, dia após dia, se viu fustigada por uma pandemia que, não escolhendo idades, nem estatuto, é impiedosa com os idosos e os mais frágeis.
 
Na divulgação pública (legitimamente orgulhosa) que o Adriano faz deste trabalho, há uma expressão que ele usa em conclusão: «Quando morrer, por favor coloquem um PÚBLICO na minha algibeira, pois quero mostrar ao Inferno como se faz um jornal».
 
Nunca se deve negar um desejo post mortem a ninguém... muito menos a quem o merece.
Mas há, desde já, uma certeza... trabalhos jornalísticos deste valor e calibre (os muitos que HÁ!) já percorreram, logo na sua publicação, todo um caminho do Inferno ao Céu.
p.s. Não posso, por mil e uma razões, usurpar a autoria e o empenho profissional das pessoas em causa.
Mas todos nós temos (nem que seja na memória) avós e pais velhos (com todo o valor humano que a palavra VELHO significa).
Ao ler e ao pa
rtilhar este trabalho do Adriano Miranda, da Dulce Maria Cardoso e do Miguel Feraso Cabral gostava de prestar a minha homenagem e solidariedade a Todos os lares de norte a sul, os que sentiram o pesadelo e a tragédia da COVID-19, os que sentiram a sorte (muito do trabalho desenvolvido) de escaparem às garras do vírus, nomeadamente às quatro estruturas residenciais para idosos do Município de Ílhavo - Lar S. José e Centro Paroquial e Social N. Sra. da Nazaré (pelos momentos complexos que viveram e vivem), CASCI e Centro Social da Gafanha do Carmo - e à Instituição de Cuidados Continuados, Santa Casa da Misericórdia de Ílhavo.

Entre responsabilidades repartidas...

por mparaujo, em 06.12.20

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(um aglutinar de concordâncias com opiniões soltas, nesta manhã de "confinamento").

O facto...
Ontem à noite, um acidente na A1 tinha como resultado a morte trágica e prematura de uma jovem de 21 anos. Tratava-se da filha mais nova do cantor Tony Carreira, Sara Carreira.
Não sabia que Tony Carreira tinha uma filha com aquela idade e muito menos sabia que a jovem em causa dava os primeiros passos na música. Mas à parte disso, já seria expectável um conjunto de circunstâncias que marcariam o facto (ontem e hoje), muito pela casualidade (ou talvez não) do mediatismo, da popularidade e dos holofotes que incidem sobre todo o mundo "cor de rosa".
E, acima de tudo, muito pelo voyeurismo e olfacto mórbido da estupidez humana.

da comunicação social...
obviamente, a CMTV... mas não só. E não só mesmo, surpreendentemente. Junte-se SIC e TVI.
Já seria de esperar, fosse quem fosse que estivesse em causa, a CMTV marcou presença em vários pontos dito de "reportagem": a A1 e o Hospital de Santarém. Ao massacre informativo, com toneladas de repetições e permanente falta de novidade (enquanto há quem vá monitorizando as audiências e os seus picos) juntam-se os habituais sinais de falta de ética e deontologia profissional. O oportunismo da suposta reserva da privacidade foi apenas o meio, disfarçadamente "ético", para manter as expectativas e prender audiências ao ecrã, até porque era sabido que apenas o canal da Cofina estava no "terreno". Andaram horas a fio a dizer que sabiam quem era a jovem vítima, mas não revelavam a sua identidade por respeito à família, ao mesmo tempo que indicavam a presença da mesma no Hospital, filmavam a viatura acidentada e esse expoente máximo do pormenor informativo - o pneu - e, pasme-se.... a MATRÍCULA.
(sobre cmtv, voltaremos mais abaixo).
Mas infelizmente, para o jornalismo e a sobrevivência da sua imagem de rigor e ética, há mais... e vem da parte da SIC e da TVI.
É, no mínimo questionável, qualquer tabela que meça o mediatismo e a popularidade de cada figura, mais ou menos, pública, dada a subjectividade relacionada com o gosto e a afectividade de cada um dos cidadãos (fãs). E como não conhecia (nem conheço) a popularidade da jovem filha de Tony Carreira, limito-me, neste caso, à reserva do maior respeito pela dor de uma mãe e de um pai, para além dos seus irmãos, que veem partir, de forma trágica, uma sua filha e irmã.
Mas não consigo deixar de questionar, como alguns também já o fizeram, a razão da SIC e da TVI cancelarem parte da sua programação como sinal de luto. Como?!!! Mas é algum programa onde a jovem ou algum dos seus familiares participassem?
Esta semana faleceu um dos expoentes máximos do pensamento português: Eduardo Lourenço. Alguma televisão cancelou alguma programação? A CMTV quanto especiais ou supostos Alertas fez?
O jornalismo vê partir um dos seus grandes profissionais, Pedro Camacho (com 59 anos), jornalista com responsabilidades na Lusa, Visão, PÚBLICO e Diário de Notícias, e o que é que a SIC fez? Cancelou programas? Curiosamente, de forma incompreensível, deu a notícia com o recurso a imagens do seu irmão, Paulo Camacho, jornalista, imagine-se, da própria SIC.

da estupidez humana... e aqui a "estupidez" ganha contornos superlativos.
1. É comum, e ainda bem, o volume de críticas à prestação jornalística (se é que podemos falar de jornalismo) da CMTV e do CM em 99,9% dos contextos informativos. Mas há um facto ao qual não podemos ficar alheios, não servindo de qualquer tipo de desculpa ou de justificação para as prestações do canal televisivo e do jornal da Cofina. É inquestionável a questão da falta de ética e rigor jornalístico da cmtv ou cm... mais ainda, NÃO é jornalismo. Isso é a minha opinião há anos.
Mas há um outro lado da questão. Podemos atirar as "pedras" que quisermos à CMTV, podemos (e devemos) criticar com os adjectivos que tivermos mais à mão, podemos achar, ainda, a ERC ineficiente e distraída... mas a verdade é que amanhã, quando houver estatísticas e os números das audiências, vejam quem é que ficou em primeiro lugar. E na Cofina haverá quem diga, resumindo: "está feito. conseguimos". E continuará a dormir descansadamente.
Enquanto houver portugueses que só conhecem um botão do comando da televisão ou não leram completamente o manual de utilização, a realidade não mudará.
Infelizmente, a alfabetização que levou a escrita e a leitura a muitos portugueses (independentemente da idade), o aumento da escolaridade obrigatória, não devia ter ficado apenas pelo saber ler ou escrever. Faltou cultura, conhecimento, socialização e cidadania (sim... a que agora alguns querem também diabolizar, achando-se "donos" dos próprios filhos).
Aliás, a estupidificação humana de muitos dos portugueses ficou bem patente nas reacções nas redes sociais (onde mais?!, claro). Sobre a tragédia e a perda de uma vida, muitos portugueses atreveram-se a questionar o que andava a jovem a fazer na autoestrada com as restrições em vigor, do género "se tivesse ficado quietinha em casa...", entre outras pérolas que me escuso de reproduzir, a bem da sanidade mental comum e por respeito à sua memória.
É este o retrato de uma sociedade que teima em se manter medieval e que alimenta audiências de suposto jornalismo.

É o país que temos, em permanente "pandemia social".

A ler os outros... através do olhar do Adriano Miranda

por mparaujo, em 08.10.20

A saúde mental é, infelizmente, um dos enormes e condenáveis (criticáveis) tabus da sociedade e da saúde em Portugal.

É demasiado o preconceito, a forma como olhamos a "diferença" e a "inferioridade" do outro, é preocupante a menorização do impacto da realidade da saúde mental na vida de cada um de nós (sim... todos nós), na sociedade, na economia e relação laboral, no próprio sistema nacional de saúde.
Os problemas mentais são significativamente desvalorizados e desprezados... quando patentes nos outros ou em cada um de nós são dificilmente compreendidos e aceites... são, socialmente, incompreendidos, menosprezados e desacreditados... são, ainda do mesmo ponto de vista social, espezinhados (doentes, coitadinhos, infelizes, é o destino... e por aí fora).
Esta é uma realidade que Portugal teima em querer esconder, "abafar", assobiar para o lado... Realidade que ganhou, por diversas vicissitudes, contornos ainda mais relevantes nestes dias de pandemia (isolamento, confinamento, stress laboral, desemprego, diminuição de rendimentos, ausência de cuidados médicos, etc.).

Neste âmbito... por si só, o desfolhar da imprensa leva-nos a uma especial atenção para os nossos tradicionais interesses (sejam os temas, sejam autores, por exemplo).
Foi, com particular atenção que desfolhei, vi e revi, voltei a ver o trabalho do fotojornalista Adriano Miranda publicado na edição de domingo (4 de outubro) do jornal Público.
O tema pode, inclusivamente, levantar algumas polémicas. Pessoalmente, acho que a felicidade, o sentirmo-nos úteis, valorizados, socialmente integrados, são direitos que assistem a qualquer cidadão, independentemente da sua condição, das suas fragilidades.
Por outro lado, fica uma certeza: um trabalho e um registo fotográfico do Adriano Miranda de excelência, soberbo, arrebatador e marcante (para ser simplicista na adjectivação): "O Vinho que nos traz a Alegria".
A sede da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Viseu tem vários hectares de vinha para tratar. Desde há dois anos que, chegado o momento da vindima, são chamados para a tarefa familiares doentes, formadores e amigos dos associados. Perante o trabalho árduo, reinou o espírito de entreajuda e boa-disposição.

AINDA A TEMPO...
Aproveitando a necessidade de poupança nos caracteres, mas não na admiração e no reconhecimento, PARABÉNS ao Adriano Miranda, à jornalista Ana Brito e jornal Público pelo primeiro prémio na II Edição do Prémio de Jornalismo: Analisar a pobreza na imprensa - 2019, promovido pela EAPN Portugal/Rede Europeia Anti Pobreza: "Portugal desconhece quantas pessoas vivem em pobreza energética” – Jornal Público de 22 de outubro de 2019 (versão para assinantes).

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(crédito da foto: Adriano Miranda / Público)

R.I.P. Vicente Jorge Silva

por mparaujo, em 08.09.20

Por norma, salvo raríssimas excepções, devidamente contextualizadas, entendo que ninguém é insubstituível e, por uma questão de respeito pelo empenho, trabalho e dedicação de muitos, não recorro à expressão "os melhores" ou "os bons (profissionais".

Mas é inquestionável que quando partem ou nos deixam alguns desses "melhores" o jornalismo, a comunicação social e a sociedade fica mais pobre e mais vazia. Para além da cultura, pelo seu papel como cineasta.

Morreu, aos 74 anos, Vicente Jorge Silva, rosto e imagem inconfundível do jornalismo (Comércio do Funchal, Expresso e, ainda Diário Económico, Diário de Notícias, Sol e SIC), com destaque para a fundação do jornal Público, em 1990, tendo sido o seu primeiro director.

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(créditos da foto: Tiago Couto/Observador)

5 anos depois...

por mparaujo, em 01.09.20

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A data (o acontecimento) reforça a memória e a necessidade, permanente, do reforço das liberdades, nomeadamente as de expressão e de informação.
Uma preocupação que deveria ser diária e que, ciclicamente (ano após ano, acontecimento após acontecimento), nos transporta (infelizmente, entre outros inúmeros casos... demasiados) para o dia 7 de janeiro de 2015, em Paris: CHARLIE HEBDO.

Arranca amanhã o julgamento do massacre que vitimou 12 pessoas na redacção do jornal satírico Charlie Hebdo.

Porque importa preservar a memória, destes e de muitos outros, que perderam a vida em defesa da liberdade (ou das liberdades).

Porque... "Posso não concordar com o que dizes mas defenderei e lutarei sempre pelo teu direito a dizê-lo".

O Milagre do futebolês televisivo

por mparaujo, em 02.08.20

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Mais vale tarde que nunca...

A SIC e a TVI decidiram, com coragem e convicção, reformular os seus programas dedicados ao futebol (sim... futebol e não ao desporto) terminando com a presença tóxica dos chamados comentadores "cartilheiros".

Independentemente de achar que há horas de programação demasiado excessivas dedicadas ao futebol (de segunda a domingo) há, pelo menos, três grandes virtudes na decisão das direcções de programação respectivas:

1. Acaba o eco televisivo e jornalístico à "guerrilha clubista" que em nada beneficia quer o futebol, o desporto e a comunicação social.
2. Varre-se da televisão a visão sectária e a falta de isenção e imparcialidade.
3. Devolve-se o jornalismo, no caso, o jornalismo desportivo aos jornalistas e, no pior dos cenários, aos seus profissionais.

Falta agora a coragem (apesar de já muito reduzidos nas grelhas da programação) para as Direcções de Informação e de Programação terminarem, igualmente, com os espaços de comentário político que mais não são que espaços opinativos ideológicos. E aqui, de novo, devolvam o jornalismo político aos jornalistas, nomeadamente aos directores de informação e aos editores (por exemplo).

Lamenta-se que a RTP opte por um aproveitamento concorrencial que é condenável.
Se é certo que o programa "Grande Área" tem um formato que poderá ser o espelho do que a SIC e a TVI pretendem no futuro (a TVI já tem o "Mais Futebol", de novo conduzido pela Cláudia Lopes após o seu regresso a Queluz de Baixo), já as palavras do Director da RTP, António José Teixeira, não batem certo com a imagem do programa "Trio D'Ataque". Dizer que não há ruído, nem parcialidade clubista, com anteriores e actual painéis é, no mínimo, ridículo.

Cabe aqui a referência aos argumentos apresentados por Ricardo Costa, Director-geral da Informação do grupo Impresa.

“A pandemia podia ter ajudado a que os agentes do futebol percebessem bem a situação em que o futebol, como toda a sociedade se encontra, mas infelizmente não foi isso que aconteceu. Ou seja, o regresso do futebol voltou ainda pior do que estava antes em termos de guerra entre os clubes.
Esse ambiente de toxicidade que se foi criando à volta deste tipo de programas, e para o qual contribui muito os próprios clubes e as suas máquinas de comunicação, coloca-nos perante uma situação de que chegou a altura de terminar este tipo de programas na SIC Notícias”.

Irresponsabilidade informativa.

por mparaujo, em 13.03.20

Assumo, como sempre assumi, a minha paixão pela comunicação (jornalismo) já que é esta a minha área de formação.
Assumo, como sempre assumi, a defesa (podem chamar corporativismo) dos jornalistas e do jornalismo.
Tenho, por isso, o maior respeito pelos profissionais da comunicação social (jornalismo) onde, felizmente, tenho amigos (alguns bem próximos), conhecidos e enormes e importantes referências profissionais. Para o caso, a TVI é um forte exemplo desta realidade.

Colocada a declaração de interesses, há, infelizmente, momentos perante os quais é impossível ficar indiferente e deixar de criticar. Principalmente em momentos de crise, onde é exigido a todos serenidade, ponderação, consciência colectiva e comunitária.

Importa, ainda, recordar:
Código Deontológico do Jornalista (15 de janeiro de 2017)
2. O jornalista deve combater a censura e o sensacionalismo e considerar (...).
Estatuto do Jornalista - Lei n.º 1/99  -  Artigo 14.º
1 - Constitui dever fundamental dos jornalistas exercer a respectiva actividade com respeito pela ética profissional,competindo-lhes, designadamente:
a) Informar com rigor e isenção, rejeitando o sensacionalismo e demarcando claramente os factos da opinião.

O dever de informar (e o exercício da função de jornalista é um dever) não deve, não pode, sobrepor-se ao interesse público (diferente do "interesse DO público"), ao papel de consciencialização e de socialização.

No actual contexto social perante o surto pandémico da COVID-19, perante todo o alarmismo e histeria social, o jornalismo (e o jornalista) tem de saber valorizar o seu papel, a sua função e a sua natureza.
As Instituições (governo e sociedade) e muitos profissionais (a título de exemplo - bom exemplo - as intervenções de Rodrigo Guedes de Carvalho na SIC... entre outros, diga-se) têm apelado à serenidade, a um necessário e importante sentimento de comunidade, ao respeito pelos outros; têm dado voz e cara pela consciencialização da realidade e pela sensibilização no combate ao surto. Nomeadamente, criticando e alertando para o erro que tem sido o anormal açambarcamento de produtos e bens essenciais, o esvaziamento das prateleiras dos super e hipermercados, com impactos que podem tornar estes condenáveis comportamentos totalmente contraproducentes e de efeito contrário.

No meio de todo este esforço, da inequívoca necessidade de combater o alarmismo e o medo, a par do combate colectivo ao próprio vírus e à sua propagação, é completamente incompreensível e totalmente despropositada a opção editorial do Jornal da Uma, da TVI, de hoje, ao ser apresentada uma peça, directamente de um espaço comercial, contribuindo ainda mais para a corrida desenfreada aos supermercados, alarmando e preocupando (sem fundamento) as pessoas, sem qualquer preocupação formativa e informativa.

Informar não é, nem nunca deverá ser, sinónimo de Alarmismo e Sensacionalismo.
O Jornal da Uma da TVI quis marcar pela diferença... Marcou!
Marcou... infelizmente pela negativa e de forma bem negativa. O jornalismo não precisa desta "imagem"... definitivamente.

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da normalidade da vida... São Pessoas

por mparaujo, em 14.01.20

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(créditos: divulgação da sessão de apresentação do projecto "São Pessoas" - livro e exposição - no espaço Miar Forum, Campanhã-Porto... in São Pessoas)

Por norma, quem olha para uma notícia/reportagem na televisão, quem lê um jornal (papel ou digital) ou quem ouve rádio, olha para o rosto de um(a) jornalista, vê a assinatura de um(a) jornalista na peça do jornal ou associa a voz a um locutor (jornalista ou não). São as faces visíveis da notícia... quem faz as perguntas, quem relata os factos, quem questiona a realidade.
Raramente o "comum dos mortais" imagina, vê ou tem a noção que há outros profissionais que também fazem e constroem o jornalismo (a notícia). Há os "esquecidos", mesmo que involuntariamente (infelizmente não só na sociedade como, em muitos casos, dentro da própria profissão).

Numa lista que se poderia tornar extensa, permito-me destacar, para o caso e como exemplo, os repórteres de imagem e os fotojornalistas. Os que estão no local dos acontecimentos, nos momentos da notícia e da informação, mas longe dos holofotes, dos microfones, das próprias câmaras.
Afunilando ainda mais a reflexão, fixo-me, por último, nos fotojornalistas. A título de exemplo...
O que seria uma capa de um jornal, a manchete do dia, sem uma imagem quer marque, que foque, que prenda a curiosidade, que choque (a consciência)?!
O que seria uma notícia, o seu peso e impacto, sem a ilustração de uma imagem?!
Para uma notícia reproduzir uma imagem, no imaginário de cada um, significará, na maioria das vezes, um esforço hercúleo de semântica lexical e de semiótica.
Pelo contrário, uma imagem vale, por si só, por mil palavras, numa perfeita semiose carregada de signos e significados.

Em finais de 2019, os fotojornalistas (do Público) Adriano Miranda e Paulo Pimenta deram corpo e vida a estes princípios. Sob os olhares das objectivas, focados nos olhares das suas opções e concepções da vida e da realidade, das suas consciências do social, lançaram um projecto ENORME, espelhando em cada fotografia o que a vida tem de mais concreto e real: a simplicidade e verdade de cada rosto.

Nasceu o "São Pessoas"... recentemente (11 de janeiro) apresentado numa exposição e no lançamento de um livro, no Espaço Mira Forum, em Campanhã-Porto.

"São Pessoas", de Trás-os-Montes ao Algarve, é, simplesmente, uma radiografia da pobreza, da exclusão, do isolamento, da solidão.

Melhor do que qualquer palavra é a apresentação deste projecto presente na 'folha de sala' da sessão no Mira Forum.
Porque simplesmente, São Pessoas... o Adriano e o Paulo, com uma consciência social e humana ENORME, com um sentido cívico PRESENTE e com um desempenho profissional SOBERBO.

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Solidariamente (TVI)... para além do Natal.

por mparaujo, em 22.12.19

Desde alguns anos, para não dizer 'pelo menos há uma década' (e, entretanto, pelo meio, realizou-se um Congresso), que são inúmeras as tentativas de reflexão sobre o "estado de alma" da comunicação social ou as preocupações públicas e do sector sobre o jornalismo (presente e futuro).
Recentemente, surgiu a questão do financiamento do Estado aos media, com, obviamente, mais riscos que proveitos. Ou, se quisermos... proveitos demasiado arriscados. Deixemo-nos de lirismos: não há almoços grátis.
O que não significa que a temática da sustentabilidade do jornalismo não seja importante. Claro que é! Mesmo que infelizmente...
Por outro lado há a permanente discussão sobre a qualidade do jornalismo (o que é e não é); o desempenho e empenho profissional (nomeadamente no cumprimento deontológico, ainda recentemente revisto); o papel, função e responsabilidade editoriais (veja-se os últimos casos com, por exemplo, a RTP e a TSF, mesmo que em campos diferenciados, claro); a relevância que a comunicação social dá, hoje, à notícia e ao rigor informativo; a (polvorosa) mistura entre entretenimento e jornalismo; o crise identitária provocada pelo imediatismo sensacionalista; entre outros.

Independentemente da importância da sustentabilidade económica e financeira da Comunicação Social, da necessidade urgente de uma reflexão e avaliação conclusiva da sua (re)estruturação quanto aos meios/recursos, plataformas/suportes e posicionamento face ao que é, hoje, o acesso globalizado (demasiado ausente de regras) à informação... tenho, para mim, que o maior problema da comunicação social, para além do enorme fosso que cavou entre a informação/notícia e o cidadão/consumidor, é o uso indevido de um dos seus princípios: a pirâmide invertida. O jornalismo inverteu perigosamente as suas prioridades: valores/princípios (ética, deontologia e estatuto), qualidade, estratégia e (deveria ser... por fim) audiência/venda.

Mas há ainda uma outra realidade tão ou mais importante. São tão óbvios quanto significativos os perigos de uma sociedade e de uma democracia sem comunicação social e sem jornalismo com "J" grande. Assim como é por demais evidente que o jornalismo não existe, não se faz, não sobrevive, sem jornalistas (desses também com "J" grande... e, felizmente, ainda os há).
Lamenta-se, por isso, que em 2019 (até à data) haja 389 jornalistas presos arbitrariamente (mais 12% que em 2018) e tenham morrido 49 jornalistas no pleno exercício das suas funções profissionais, sem qualquer relevância o facto de, estatisticamente, significar uma diminuição em relação a anos anteriores (uma morte que fosse era, por si só, demasiada, escusada e condenável). (fonte: relatório anual da organização Repórteres Sem Fronteiras - RSF).
Lamenta-se, por isso, que em 2019 o Grupo Global Media (JN, DN, TSF. O Jogo) tenha dispensado 80 profissionais, trazendo à memória outras (não muito distantes) situações idênticas, como, por exemplo, no Público ou no Porto Canal, ou a situação de (ainda) muitos precários ao serviço na RTP.
Lamenta-se, por isso, a quantidade relevante de (muitos e bons) jornalistas que, desiludidos com a profissão, abandonam ou pretendem abandonar as suas carreiras profissionais.
Lamenta-se por isso, o fecho de inúmeros jornais e rádios locais, bem como a insuficiente sustentabilidade da comunicação social local ou regional, com impactos significativos no jornalismo de proximidade.
Lamenta-se, por isso, que a Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) e a Comissão da Carteira Profissional continuem ausentes dos seus papéis reguladores e fiscalizadores no que respeita ao cumprimento dos princípios e valores profissionais e da qualidade do jornalismo e permitam um promiscuidade condenável entre jornalismo e tudo menos isso... sim, porque não há bom ou mau jornalismo: ou há jornalismo ou não há. (exemplo: via Zé Gabriel Quaresma e desmistificado, também pelo próprio, aqui).
Lamenta-se, por isso, que a ERC não tenha sido mais consistente, mais pragmática, mas zeladora pelo estado da Comunicação Social e tenha dado o seu aval a um dos negócios mais ruinosos para o futuro do jornalismo em Portugal: a compra da TVI pelo Grupo Cofina (CM/CMTV). Pela evidência do monopólio e de posicionamento dominante, pelos impactos que o resultado do processo possa ter na qualidade da informação e no futuro de muitos (e bons) profissionais.

Por isso, a propósito ("Trabalhadores da TVI protestam em Lisboa e Porto quanto à incerteza do seu futuro") a minha total solidariedade para com Amigos, Referências ou, simplesmente, Conhecidos profissionais da TVI. Abstenho-me de os nomear, preservando as suas posições públicas ou privadas sobre a questão. Eles, todos - e são muitos, felizmente - sabem quem são.
Não deve ter sido fácil, ao fim de 27 anos de actividade da TVI, virem-se na obrigação, como dizia o Zé Gabriel, de vir para a rua mostrar aos portugueses que também sentem e vivem os mesmos problemas reais que tantas vezes retratam e transmitem no dia a dia informativo.

Como remate, correndo o risco de abusiva usurpação alheia, ficam as palavras da Vereadora da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Regina Janeiro, num dos comentários a uma publicação na rede social facebook: «Quem luta nem sempre ganha, quem não luta perde sempre».

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Um virar da página do calendário que correu (muito) mal...

por mparaujo, em 01.12.19

Sem montagens... sem filtros.

Não há ninguém no jornalismo, na comunicação social, na comunicação (sentido lacto) que não cometa uma gralha, um erro gramatical, uma concordância mal elaborada, um tempo verbal a despropósito. Isso é a vida... e como hoje a vida na comunicação é feita de correrias (demasiadas correrias) não há teclado, caneta ou microfone que escape.

Mas depois há aqueles erros que... upssss. Enfim.

Hoje, alguém na SIC, lá para os lados de Paços de Arcos, andou a faltar às aulas de História de Portugal.
É que não dá para confundir Implantação/implementação com RESTAURAÇÃO...
E nem sempre a República traz INDEPENDÊNCIA.

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De novo (infelizmente, sempre) a crise...

por mparaujo, em 18.11.19

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Seja em que área for, a sociedade vai, amiúde, criando estes constrangimentos nas diversas actividades profissionais e económicas: a sustentabilidade vs a empregabilidade.
Apesar da taxa de desemprego (pelo menos a leitura feita através do número de subsidiários de desemprego) ter baixado significativamente, a verdade é que os despedimentos são ainda um flagelo social, familiar e pessoal.

O jornalismo não foge à regra. Por inúmeros factores, todos eles conhecidos, avaliados e discutidos, e praticamente não combatidos (antes pelo contrário): os avanços tecnológicos, os efeitos e impactos das redes sociais, as multiplataformas comunicacionais, a facilidade com que os cidadãos acedem à informação (mesmo sem filtro), a monopolização de sectores, o economicismo da imprensa (das administrações e tutelas) e a sua sustentabilidade, as questões éticas, deontológicos e do desempenho profissional, etc., etc., etc. Nada disto é novo... tudo isto é "fado".

Os casos são conhecidos: dispensas no Público, Porto Canal, JN e DN, a preocupante "opa" da Cofina à Media Capital... profissionais (cada vez mais) que optam por outro percursos (na área ou fora dela). Muito recentemente, a surpresa da saída do amigo Miguel Marujo dos quadros do DN.
A realidade voltou "à estampa" com o prematura, surpreendente e inexplicada saída da direcção da TSF do (aveirense) jornalista Arsénio Reis, trazendo à memória dos profissionais desta rádio o terrível ano de 2014 no qual foram dispensados, pela Global Media Group, cerca de 160 profissionais, dos quais 40% eram jornalistas.

Mas a para de todas as realidades e de todos os contextos que colocam em causa (demasiadas vezes) a sustentabilidade do jornalismo, das empresas e dos profissionais, e que colocam em causa a própria democracia e o Estado de Direito (sem jornalismo fica vazio), há um dado que tem sido muito pouco abordado e que me parece pesar em toda esta problemática: porque é que as pessoas deixaram de ler jornais? porque é que as pessoas deixaram de ouvir rádio? porque é que as pessoas preferem Big Brothers à informação televisiva?

Enquanto profissional na área, nomeadamente na assessoria e coordenação da comunicação autárquica, há uma razão evidente e objectiva: os jornais nacionais, as rádios nacionais, as televisões nacionais, deixaram o ónus da comunicação (noticias/informação) local e regional para a Imprensa (sentido lacto) Local, sendo que esta tem um enorme défice de sustentabilidade e viabilidade. As notícias, a informação, nos órgãos de comunicação social nacional, está restringida, na sua maioria dos casos (diria que 90%), a Lisboa e, em menor grau, ao Porto.
E a questão, interrogação, é muito simples e óbvia: para quê comprar um jornal, para quê ouvir uma rádio, para quê ligar a uma televisão, se as noticias (factos e realidades) que estão mais próximas dos cidadãos não aparecem, não são tratadas, não são publicitadas?

Seria muito bom que na Comunicação Social, no jornalismo, o país não fosse só Lisboa e Porto e o resto mera paisagem (que só é vista, maioritariamente, quando há tragédias).

Shame on you.... New York Times

por mparaujo, em 15.06.19

Há quatro anos, 7 de janeiro de 2015, o mundo (ou parte dele) sobressaltava-se com um dos maiores atentados à liberdade de expressão e à liberdade de informação: o massacre de 10 elementos da equipa do jornal satírico Charlie Hebdo (num total de 12 mortes e 11 feridos), perpetrado por 2 islamitas. Por esse mundo fora "Je Suis Charlie" tornou-se uma mensagem viral. Muitos, como eu, mesmo não gostando da linha editorial do jornal (ou do próprio jornal) não podiam deixar que um dos direitos fundamental da existência humana e alicerce da democracia e de uma sociedade livre fosse barbaramente atingido: "posso não concordar com o que dizes mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-lo" (Evelyn Beatrice Hall... falsamente, Voltaire).
E tal como eu, também o The New York Times, deu voz, corpo e imagem, a esta revolta pelo massacre em Paris.

Volvidos quatro anos, há pouco mais de um mês (em abril), surgia uma estéril polémica, curiosamente sob a pena e assinatura de um português: o cartoonista do Expresso, António (Cartoon do António). O jornal americano publicava um cartoon de António no qual, este, retratava a ligação e relação dos Estados Unidos da América (concretamente a Administração Trump) e Israel. Surgiram reacções intempestivas à publicação da caricatura que, nesta semana, culminaram com o The New York Times a tomar, claro e opcional, partido das críticas de "anti-semitismo e ofensa grave ao judaísmo". Depois de retirar o desenho das páginas do jornal, a direcção do diário norte-americano decidiu agora deixar de publicar, nas edições nacionais e internacionais, cartoons editoriais.

Afinal, António tinha toda a razão... o The New Yor Times sucumbiu à pressão de Trump, aos perigos da censura e da ditadura, e de quem atenta contra a liberdade.

Esta semana, começou muito mal, "pessimamente mal", para a liberdade de informação (que é muito mais que as notícias... também é imagem (fotografia) ou desenho), liberdade de expressão e para a democracia.

Shame on You... The New York Times.
JE NE SUIS PAS... NEW YOR TIMES!

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(créditos da foto de base: Angela Weiss / AFP / Getty Images, in axios)

Nasceu um novo projeto comunicacional... da Região de Aveiro para o Mundo

por mparaujo, em 09.03.19

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Não é favor nenhum... é o reconhecimento público da coragem para abraçar e fazer nascer um projeto numa área considerada de risco, como é a comunicação social (ou até mesmo só comunicação).

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Mas a verdade é que a jornalista ilhavense Maria José Santana soube, e bem, aliar a experiência profissional (Terra Nova, Diário de Aveiro, atualmente jornal Público), o saber e conhecimentos adiquiridos, e a vontade de fazer diferente, novo e arrojado.

Há cerca de uma semana nasceu a "revista digital" AveiroMag, sobreviveu ao 1.º teste do nascimento "APGAR", afirmando-se com um espaço de comunicação com capacidade de crescimento, como um projeto que quer ser uma referência regional e nacional.

A AveiroMag é uma magazine online generalista e de âmbito regional, apostando em conteúdos relacionados com factos/notícias/histórias e figuras da Região de Aveiro, com um olhar sempre atento e crítico ao pulsar da região. Porque a Região "vende", atrai, cativa e tem um enorme potencial para ser descoerto e comunicado.

Deste lado, estará sempre um olhar solidário (e também atento) com a AveiroMag e a Maria José Santana.

R.I.P. Yannis Behrakis

por mparaujo, em 03.03.19

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(créditos da foto: Jonathan Konitz, in Ouest France)

Dizem que o olhar de uma objectiva fotográfica, cada imagem que produz e revela, cada retrato da realidade, vale mais que 1000 palavras.

Desconfiando do valor numérico, não raras vezes, a maior parte das vezes, uma imagem é suficientemente forte para nos transportar para contextos, conceitos e realidades vividas.

No caso, o fotógrafo grego Yannis Behrakis mostrou ao mundo, a todo o mundo, ao serviço da agência Reuters, a trágica vivência dos Refugiados, valendo-lhe (e bem) o prémio Pulitzer, em 2016, depois de ter vencido o "World Press Photo", em 2000, o prémio "Bayeux-Calvados", em 2002, e ter sido reconhecido fotógrafo do ano de 2015 para o jornal britânico "The Guardian"

Mas Yannis mostrou ainda mais ao mundo, do profundo e triste mundo: cobriu vários cenários de guerra (por exemplo, no Afeganistão ou na Serra Leoa) ou situações de revolução política e social como a Primavera Árabe, no Oriente Médio e no Norte da África.

Yanni Behrakis "disparou, pela última vez, o obturador da sua máquina", hoje, aos 58 anos.

O fotojornalismo perdeu um permanente olhar crítico e atento do Mundo.

Quando uma porta se fecha, há sempre uma janela que se abre

por mparaujo, em 06.01.19

Sempre achei o dito popular uma metáfora interessante como motivadora de uma esperança perante momentos menos positivos. Mas sempre achei também que a concretização realista da mesma dependia mais da vontade, do querer, da ambição, do empenho pessoais, do que da mera ocasionalidade ou sorte.

Hoje, deparei-me na imprensa (Observador) com a concretização deste contexto.

Foram mais de 20 anos de profissionalismo enquanto especialista sobre temática religiosa no jornal Público. Incompreensivelmente, dispensado, em 2013, do jornal onde esteve desde a sua fundação, foi, posteriormente, distinguido e galardoado com algumas referências e prémios.
Na "travessia do deserto", manteve sempre uma excepcional resilência, numa profissão que atravessa momentos complexos e complicados, através de projetos individuais e da publicação de vários livros como autor ou coautor.

Há quase 40 anos que foi uma presença no meu crescimento... pela amizade, pelas referências comunicacionais, culturais, musicais, religiosas, sociais e humanas (um bocadinho ao lado nas políticas, mas é a vida...). Destes, houve cerca de 5 anos de convivência intensa, diária, permanente... lado-a-lado.

Amanhã, o António Marujo vai abraçar um novo projecto. Vai dirigir o jornal digital "Sete Margens", dedicado às religiões, à cultura e à espiritualidade. E só pode, assim o espero, ter o maior sucesso. Até porque, e concordando perfeitamente, tal como ele afirma neste entrevista ao Observador, «(...)em Portugal o fenómeno tem sido marginalizado nos grandes media. Até paradoxalmente, porque sabemos que há muitas matérias religiosas que trazem leitores e espectadores aos meios de comunicação». Ou ainda, porque «o fenómeno religioso, num sentido muito lato, é uma dimensão muito importante quer na vida das pessoas, individualmente, quer na realidade política, cultural e social dos povos».

Obviamente, o setemargens.com tem já um leitor assíduo e atento.

Forte abraço, António.

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De um criticável "erro de casting" aos moralismos da treta...

por mparaujo, em 06.01.19

A polémica estalou, marcou-se a agenda mediática, relegando para segundo plano a substituição do treinador do Benfica ou a recente tomada de posse do presidente do Brasil. O tema centra-se no programa "Você na TV" (que suspendeu a rubrica em causa) da TVI.

Em causa estão dois contextos: a presença de um líder de uma organização de extrema-direita (condenado por vários crimes de ódio e homicídio, por exemplo) e a pergunta colocada a público "Faz falta um novo Salazar?".

A sempre defensável e importante, como garante da democracia, Liberdade de Expressão colide e contraria, de facto, com o argumento usado pela TVI. Ao dar voz e palco a uma ideologia e princípios programáticos que colocam em causa os mais elementares e fundamentais direitos, liberdades e garantias dos cidadãos e de um Estado de Direito contraria o argumento de defesa apresentado: o respeito pela "dignidade da pessoa humana e os direitos, liberdades e garantias fundamentais, não incitando ao ódio racial, religioso, político ou gerado pela cor, origem étnica ou nacional, pelo sexo, pela orientação sexual ou pela deficiência". Contrariamente, o que aconteceu foi um momento, pelo menos, de promoção do 'ódio racial, religioso, político ou gerado pela cor, origem étnica ou nacional, pelo sexo, pela orientação sexual ou pela deficiência'. Foi uma criticável opção editorial da rubrica do programa.
Além disso, a "sondagem" apresentada é, igualmente, lamentável. Felizmente, pelo resultado, são muito poucos os que gostariam de ver Portugal regressar a um patamar dispensável de pobreza, analfabetismo, isolamento internacional, de ausência de liberdade e de forte censura. Aliás, é incompreensível que a TVI tenha colocado a questão quando os seus directores bem sabem que, num hipotético regresso ao período pré 25 Abril, o canal de Queluz, muito provavelmente, nem existiria.
Estes são os factos e a avaliação crítica de quem até é um defensor das Liberdades, um constante "Je suis Charlie". Mas a verdade é que não deixa de ser criticável a opção tomada pela TVI.

Há ainda o outro lado da polémica: o "rasgar" das vestes de uma determinada esquerda que se acha, erradamente, a guardiã moral dos bons costumes e das liberdades. Tretas.

Antes dessa análise, importa ainda dar nota da triste posição do Sindicato dos Jornalistas sobre a matéria. O programa é de "entretenimento", sem carácter informativo e sem a presença de qualquer jornalista. Apesar do contraditório a que o convidado foi sujeito pelo apresentador Manuel Luís Goucha que, em alguns casos, superou muitos jornalistas "encartados". Era escusada a posição do Sindicato dos Jornalistas que mais não serviu para projectar e dar eco ao programa em causa.
Ainda a propósito, o envolvimento de um ministro do actual Governo, foi um enorme tiro no pé. Logo este Governo que ainda bem recentemente não teve a coragem política para, publicamente, criticar e exigir que a organização da "Web Summit" excluísse dos seus painéis a líder da extrema-direita francesa, Marie Le Pen. E quando há telhados de vidro convém ter cuidado com as "pedras" que se atiram ao "vizinho".

Mas a outra faceta é mais deplorável. O "rasgar das vestes" das vozes da esquerda, da estrema-esquerda, neste contexto, é algo que agonia, que dá a volta ao estômago.
E logo uma dita esquerda que ainda bem recentemente, em 2015, se regozijou com a coligação governamental do Primeiro-ministro Tsipras entre o Syriza e os conservadores "Gregos Independentes" estruturados na Nova Democracia.
Ou ainda a "outra" esquerda que quando lhe convém esquece-se tão facilmente da Coreia do Norte ou da Venezuela.
E já para não falarmos das FP25, ainda presentes na memória de muitos dos portugueses.
Tudo é mau quando não nos agrada... quando a "pimenta  no dito cujo dos outros é refresco". É este balofo populismo que faz crescer ou potencia estes extremismos que, infelizmente, vão povoando essa Europa fora (por exemplo, na Roménia que iniciou, no primeiro dia deste ano, a liderança do Conselho da União Europeia).
Lamenta-se que a tão ideologicamente moralista esquerda portuguesa não perceba que, apesar de tudo, é preferível debater, combater e criticar, os extremismos (venham eles de onde vierem... são iguais, na prática) no espaço público da democracia, do que deixar que proliferem no caos e anarquia das redes sociais, com milhares e milhares de "olhares".

Parafraseando o grande filósofo português contemporâneo, Prof. Agostinho Silva, que afirmava a Liberdade como a mais importante qualidade do ser humano...

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Desejos para 2019? o fim das violações às Liberdades e Garantias

por mparaujo, em 01.01.19

Não sei se a Imprensa será, de facto, o chamado quarto poder. E muito menos se será um “poder”. Mas a verdade é que a Comunicação Social, por natureza e pela sua essência, tem poder e deve ter poder. Poder de relatar factos e dar notícias, transmitir conhecimento e informação, marcar e assinalar a história.

A Comunicação Social atravessa, nomeadamente nesta última década, contextos e realidades complexos, seja por força das alterações do paradigma comunicacional, seja por razões endógenas (sustentabilidade, profissionalismo, credibilidade), seja ainda por pressões externas que adulteram os impactos da Imprensa na sociedade (as “fakenews”, o caos da internet e da era digital). Mas a verdade é que um mundo sem Informação, sem Notícias, é um mundo obscuro, enigmático, falso, irreal. Por outro lado, não é possível conceber um Estado de Direito e uma Democracia civilizacional sem uma Comunicação Social sólida.
Além disso, a Comunicação Social é a guardiã da liberdade de expressão e de opinião. Direito Universal tantas vezes, demasiadas vezes, colocado em causa, violado, amordaçado.

Foi assim em 2018, um dos piores anos, desde 2006, para o Jornalismo e para os Jornalistas.

Em 2018, o número de jornalistas e outros profissionais da comunicação social mortos em assassinatos selectivos, bombardeamentos ou durante diversas situações de conflitos armados subiu para 94, mais 12 do que em 2017, segundo dados reunidos pela Federação Internacional de Jornalistas.
Já o número de jornalistas em prisão atingiu um número recorde em 2018: 251, segundo o Committee to Protect Journalists, organização sem fins lucrativos baseada em Nova York. Infelizmente, também se destaca o aumento de jornalistas detidos por divulgarem "notícias falsas" e que em dois anos passaram de nove para 28.

Por alguma razão, sublinhando estas tristes realidades, a "Time" escolheu, na sua última publicação, um grupo de jornalistas para a Figura do Ano a que chama de "os guardiões da liberdade", que foram presos ou assassinados durante 2018, pela sua "luta pela verdade": entre outros, Jamal Khashoggi, o jornalista saudita assassinado na embaixada da Arábia Saudita na Turquia, em outubro passado; os quatro jornalistas do jornal Capital Gazette que foram mortos a tiro num massacre na capital do estado de Maryland, nos EUA, em julho passado, por um homem que tinha processado a publicação e perdido o caso em tribunal; os dois jornalistas da agência Reuters, Wa Lone e Kyaw Soe Oo, condenados a sete anos de prisão, em setembro, acusados de terem revelado segredos de Estado, no decurso de uma investigação sobre massacres de muçulmanos rohingya; e ainda Maria Ressa, jornalista filipina cujo site “Rappler” foi processado por difamação pelo governo das Filipinas, após uma investigação sobre corrupção.

Fica o meu desejo para 2019… a valorização e defesa dos valores da Liberdade, da Liberdade de Expressão e Opinião, a Liberdade de Imprensa e Informação. Pela Verdade e por uma Verdade LIVRE.

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das Memórias... para sempre

por mparaujo, em 01.11.18

Independentemente das empatias, das simpatias ou do reconhecimento do valor profissional, a comunicação social (como a vida na sua generalidade) e concretamente a televisão, vive de referências e de rostos.

Aqueles rostos, no caso da tv, que marcaram gerações, programas e com os quais nos fomos habituando a ver (felizmente já a cores, embora ainda com "mira técnica" a encerrar emissões), a ter como companhia e como referência sempre que se ligava o botão.

Acredito ainda que para muitos profissionais da RTP no activo acresce a referência profissional.

A RTP perdeu hoje um desses rostos de referência: Helena Ramos.

Até sempre... na memória.

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Sinais de que tempo?

por mparaujo, em 22.09.18

São inúmeras as interrogações e reflexões que se exigem, nestes tempos muito peculiares, à Comunicação Social e ao papel do jornalismo.

Que futuro... Que plataformas e suportes... Que dinâmicas... Que exigências e condições profissionais... Que sustentabilidade... Que ética e deontologia funcionais... Que... Que... Que...

Fecham órgãos de comunicação social; têm sido dispensados (demasiados) profissionais; surgem novos projectos; questiona-se o rigor, a transparência e o profissionalismo; são vários os exemplos da precariedade laboral ou de excessivos valores remuneratórios; entre tantos outros contextos e outras realidades.

O mais recente caso surge na RTP com a contestação do valor salarial do apresentador Fernando Mendes perante um congelamento salarial de 9 anos, segundo a Comissão de Trabalhadores.

Neste contexto, apesar da notícia (já) ter dois dias ainda provoca um significativo conjunto de interrogações e reflexões.

Qualquer opção pessoal tem um cunho muito particular de individualidade, de algo privado. Mas quando tem um cunho público e um impacto mediático não deixa de desenhar, no mínimo, algumas interrogações.

Nunca me disse algo a vertente do jornalismo desportivo, mas sempre me habituei a ver no Carlos Daniel um dos rostos (felizmente há vários) importantes da informação da RTP.

Profissional desde 1989, jornalista dos quadros da RTP desde 1991 (com uma passagem de pouco mais de um ano pela SIC), "imagem" do Jornal da Tarde da televisão pública (entre outros programas como, a título de exemplo, o "Fronteiras XXI") não é fácil ficar-se indiferente à saída do jornalista da RTP para se tornar director de conteúdos do projecto televisivo da Federação Portuguesa de Futebol (curiosamente dirigido pelo Nuno santos, ex-director de informação da RTP) e que arrancará durante o primeiro semestre de 2019.

Serão sinais ou simples opção profissional pessoal?

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(fonte da foto: Quinto Canal)

 

25.º grito mundial pela Liberdade de Imprensa

por mparaujo, em 03.05.18

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Hoje, 3 de maio de 2018, registo para o 25.º Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, proclamado, pela primeira vez, pela Assembleia Geral da ONU em 1993.

Na génese da dedicação do dia 3 de maio a uma Imprensa Livre, ao direito a informar e a ser informado sem barreiras ou restrições, estiveram os princípios:

  • promover os direitos fundamentais da liberdade de imprensa;
  • combater os ataques feitos à comunicação social e impedir as violações à liberdade de imprensa;
  • lembrar os jornalistas que são vítimas de ataques, capturados, torturados ou a quem são impostas limitações no exercer da sua profissão;
  • prestar homenagem a todos os profissionais que faleceram no desempenho das suas funções.

O Secretário Geral das nações Unidas, António Guterres, tem, na sua declaração sobre a efeméride do dia de hoje uma expressão lapidar "uma imprensa livre é essencial para a paz", à qual podemos acrescentar que "uma imprensa livre é essencial para a sociedade", em todas as suas vertentes e dimensões.
Nos dias de hoje, as dimensões da existência humana e das vivências da sociedade e das comunidades não podem estar alheadas de uma Imprensa Livre e de uma Comunicação Social liberta.

Só nos primeiros quatro meses deste ano de 2018, os dados revelados pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) regista: 24 Jornalistas assassinados; 6 jornalistas cidadãos assassinados; 2 colaboradores assassinados. Actualmente, estão presos: 176 Jornalistas; 126 jornalistas cidadãos e 15 colaboradores.

O artigo 19.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos salvaguarda o direito “de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras”. São inúmeros os contextos e as formas de condicionar a liberdade de imprensa, de diminuir o direito a ser informado e a informar, de menosprezar a liberdade de expressão, que proliferam por muitos e muitos países nos dias de hoje.
A título de exemplo, no ranking mundial da liberdade de imprensa (RSF), liderado (mais uma vez) pela Noruega e onde Portugal figura no 14.º lugar (subiu quatro posições em relação ao ano anterior), há países da Europa em claro declínio e com caso graves de atropelo à Liberdade de Imprensa e ao legítimo papel dos jornalistas (ou do jornalismo), como são os casos da República Checa, Eslováquia e Malta. Até a nação que tem na sua primeira emenda (constituição) a defesa intransigente da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa, caiu, na Administração Trump, para o 45.º lugar.

A promoção do ódio e o permanente ataque contra o jornalismo; a contestação sobre a legitimidade e o papel do jornalismo; a morte, a intimidação, a prisão e o assédio aos jornalistas, são uma das piores ameaças para as democracias e para o equilíbrio da sociedade e das comunidades.

Mas o dia 3 de maio, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, também tem que servir para uma reflexão interna, para um olhar ao espelho da comunicação social e dos jornalistas. Se as forças externas que são exercidas sobre a profissão do jornalista e a missão da comunicação social são deploráveis, condenáveis e urgentemente eliminadas, também não deixa de ser um facto que a forma como o jornalista e o jornalismo exercem o seu papel, actuam na sociedade e nas comunidades, corrompem a credibilidade da profissão, deturpam a veracidade dos factos e das realidades, deve ser, em dia de homenagem a TODOS OS PROFISSIONAIS da comunicação social, motivo de profunda e séria reflexão.

Tal como referiu, hoje, António Guterres, um jornalismo livre contribui para a promoção da paz... sem esquecer o seu papel fundamental na defesa dos valores, princípios e direitos universais da condição humana e do desenvolvimento das sociedades.

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Não havia necessidade.... Expresso.

por mparaujo, em 07.01.18

Era mesmo escusado... porque há muitas outras formas. Aliás, esta não é de todo A forma, muito menos a melhor e mais correcta.

Uma indemnização, no seu princípio, não é mais do que uma compensação por um dano sofrido por incumprimento total ou parcial de uma obrigação não cumprida.

No caso de morte ela nunca é, nem nunca poderá ser, a reparação do dano porque não há nada que devolva a vida. E esta não tem, nem pode ter NUNCA, um preço.

Fazer da vida, ou, neste caso, da sua perda, uma mercantilização é, no mínimo, dispensável, por maior que seja o direito à minimização do impacto da perda da vida para os familiares de alguém.

Afirmar, num título de uma notícia que "32 mortes já têm um preço" é de muito pouco sentido ético e deontológico, no mínimo.

Não havia necessidade.

jornalisticamente correcto...

por mparaujo, em 20.10.17

politicamente certeiro.

A capa da revista da edição desta semana (19/10/2017) da revista Sábado tem gerado polémica e controvérsia significativa.

Ao contrário da maioria das "vozes" não encontro nada de errado na capa, seja do ponto de vista político, seja do ponto de vista jornalístico (e até sou insuspeito no que se refere à Cofina).

Mas a verdade é que os impropérios que têm sido dirigidos à Sábado não têm a minha concordância, antes pelo contrário. A lista é considerável, sendo que a maior parte (a maior mesmo) limita-se ao chavão do "jornalixo", da comparação ao cm e à cmtv, do uso do papel, do nojo do jornalismo, da conivência com a Justiça, da influência da direita (esta é cómica e surreal) no jornalismo... mas sem uma fundamentação ou uma sustentação válidas.

A Sábado limitou-se, pura e simplesmente, a recorrer (aliás o texto é incluído na capa) a uma expressão da ex-ministra Constança Urbano de Sousa que gerou, até dentro do próprio Partido Socialista, bastante contestação e que não foi indiferente ao sentimento partilhado por muitos portugueses num momento extremamente delicado e trágico. Algo que espelha a incapacidade, pelo menos publicamente transmitida, para a ex-ministra gerir um especial momento de crise.
A expressão usada pela própria Ministra, e que é retratada na capa da Sábado, é suficientemente forte para ser gerida em termos jornalísticos e informativos.
Recorde-se, questionada sobre o desenvolvimento da situação dos incêndios e a forma como o Ministério da Administração Interna, estava a lidar com a realidade, Constança Urbano de Sousa foi explícita: demitir-se significaria libertar-se da responsabilidade governativa e poder ir de férias (as férias que não teve).

A expressão é, politicamente, grave e infeliz mas não só em relação às vítimas, às pessoas e famílias que tudo perderam, à tragédia económica, social, territorial e ambiental que os incêndios, nestes quatro meses, provocaram.

Conhecida e divulgada publicamente a carta que a ex-ministra remeteu a António Costa (tal como refere, e bem, Paulo Baldaia num artigo de opinião publicado na edição de hoje do Diário de Notícias, onde acusa a ex-ministra de «mentir» - tomando as "dores da revolta" de muitos nem sei o que será mais forte, se a capa ou o artigo de opinião, concordando eu com os dois) a missiva revela uma falta de respeito pelos portugueses e pela situação e espelha a nítida incapacidade política da ex-governante de lidar com a pressão e com os acontecimentos, conforme a própria explicita.

A capa da Sábado desta semana é o espelho de um sentimento colectivo alargado na sociedade portuguesa, sem qualquer juízo de valor pessoal, com toda a veracidade dos factos, sem acusar a ministra de qualquer ligação ou acusação directa às mortes (como alguns afirmaram).

Não se afigura qualquer atropelamento da ética jornalística, bem pelo contrário.

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da estupidez profissional (e repetida)

por mparaujo, em 16.10.17

não há outro título... ou melhor, haver há mas fiquemos por aqui.

Entre tantas e outras coisas, entre tantos princípios, regulamentos, estatutos e legislação, o Código Deontológico dos Jornalistas refere no seu ponto 2 que «o jornalista deve combater a censura e o sensacionalismo (...)».

Isto para além do rigor e da exactidão da informação.

Transformar a notícia num showbizz é criticável.

Como não vejo, por razões já públicas e conhecidas, a cmtv a informação chegou-me às mãos por terceiros, fidedignamente. Sabendo que a situação foi repetida e explorada nos serviços informativos do canal.

Na região de Pedrógão Grande faleceram 64 pessoas em junho deste ano.

Ontem, segundo os dados da Protecção Civil, eventualmente em actualização, são já 27 o número de vítimas mortais na sequência do pior dia de incêndios neste ano.

Ver dois jornalistas, literalmente, a fugirem das chamas em pleno directo é tudo menos informação.

E para ser soft e recorrer ao eufemismo: é irresponsabilidade profissional, é crime colectivo, é espectáculo deprimente e deplorável.

No dia, espera-se que nunca chegue, em que alguma tragédia bata à porta de um destes profissionais, não venha o cm ou a cmtv, com lágrimas de crocodilo, chorar a morte de um profissional, tão novo, com família e não sei quantos filhos, em pleno serviço e pela causa pública.

Porque o "teatro noticioso" pode vender (o que até nem é bem verdade face às notícias que dão conta das dificuldades financeiras da Cofina) mas... será tudo menos informação ou jornalismo.

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A bandeirada da indignação

por mparaujo, em 28.08.17

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Independentemente da condição profissional entendo que perfis pessoais nas redes sociais são isso mesmo... Pessoais (a menos que expressamente identificados em contrário).

Antes de qualquer responsabilidade profissional existe uma cidadã ou um cidadão em cada um de nós, com deveres mas também com direitos, nomeadamente os de cidadania, de liberdade de opinião e de expressão. Excluamos, obviamente, contextos no restrito cumprimento dos exercícios profissionais.

Isto vale para médicos, professores, economistas, juristas, pedreiros, alfaiates, músicos e, imagine-se... Jornalistas.

A Rita Marrafa de Carvalho partilhou nas redes sociais, concretamente no seu facebook, a indignação que lhe causou o que deveria ter sido um mero serviço de transporte quando precisou de um táxi para se deslocar após ter chegado de viagem ao Aeroporto de Lisboa. Não vou tecer qualquer juízo de valor e muito menos juntar-me ao coro das críticas. A Rita Marrafa de Carvalho, maior e vacinada, tem o direito à sua liberdade de expressão e opinião, consciente e responsável (e consequentemente responsável).

Entre a proliferação massiva de gatinhos, frases pirosas de auto-ajuda, ocasos solares na praia, pézinhos na areia, por milhares de murais facebokianos, qualquer manifestação de indignação afigura-se-me perfeitamente normal.

O que já não me parece ser nada normal, antes pelo contrário, é a repercussão informativa e a republicação jornalística de tais momentos.

No próprio dia (25 de agosto), meras horas depois, o desabafo da Rita Marrafa era já notícia online no Jornal de Notícias na secção Pessoas. Nada melhor para, acto imediato, choverem logo as acusações à cidadã Rita Marrafa de Carvalho: "era algo mais que óbvio", que "a Rita não teve cuidado algum e foi irresponsável", "pôs-se a jeito", "era de esperar", "até tirou a matrícula ao táxi", "estava à espera de fama e mediatismo", ... . E não faltou a indubitável simbiose entre a cidadã e a jornalista.

O jornalismo, nos tempos que correm, é alvo das mais infames (e algumas vezes certeiras) críticas e das mais veementes acusações que resultam num público descrédito. Há que o dê como morto, há os que o vaticinam "em estado de coma" e há ainda os que não lhe auguram qualquer futuro sustentável. Uma das razões, entre muitas (e tão afastadas do IV Congresso dos Jornalistas) é sustentada e alicerçada na "concorrência" das redes sociais.

Posto isto, o que verdadeiramente lamento e me deixa preocupado (desiludido, embora nada surpreso) é que os mesmos que criticaram a Rita Marrafa de Carvalho e a sua publicação não tenham tido o mesmo espírito crítico para condenarem um jornalismo que sobrevive de notícias alimentadas pela própria diabolização: as redes sociais.

Mas quando os camaradas são despedidos, as revistas fecham e o futuro da comunicação social se acinzenta cada vez mais, a culpa é sempre de uma qualquer fantasmagórica realidade externa.

Os telhados de vidro são lixados...

por mparaujo, em 25.08.17

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Surgiu há cerca de dois dias uma polémica "profissional" onde se confrontavam dois pólos opostos face ao aparecimento e difusão de um vídeo do youtube promovido por extremistas islâmicos que apelavam ao terrorismo em nome de Alá. Logo surgiram os que entendiam que difundir o vídeo era uma questão informativa e os que condenaram a divulgação por entenderem que a mesma servia para promover o extremismo islâmico e o terrorismo.

O vídeo não tem, obviamente, lugar neste espaço porque entendo, como muitos, que a indiferença, o ignorar, o alheamento, o bloqueio, a essas mensagens e propaganda é o caminho mais indicado como contributo para o combate ao radicalismo islâmico e ao terrorismo que fomenta. A divulgação de mensagens e propaganda que espalha o terror, a morte, o extremismo, nunca pode, nem deve ser notícia.

Mas é aqui que surge outro problema, o outro reverso da medalha. Ao mesmo tempo não me posso colocar do mesmo lado da barricada dos que, como eu, condenam a divulgação do vídeo. É que alguns dos que militam nas fileiras da condenação da difusão da mensagem (que deveria ter sido proibida e banida pelo próprio Youtube) parecem esquecer o que foram estes dias desta semana inteira do pós-atentados na Catalunha: excesso de informação, massificação da notícia, repetição excessiva que leva à banalização informativa, para além da difusão de dados/elementos que apenas resultam na martirização dos autores dos atentados e de valorização do movimento extremista islâmico, como fotos dos autores/terroristas, imagens da dimensão física do atentado e dos impactos/vítimas, pormenores da preparação e execução dos atentados, pormenores escusados sobre as mortes ou capturas dos terroristas (para quê o pormenor do suposto sangue do terrorista morto pela polícia no meio do mato? O que ganha a informação ou a notícia com esse elemento?, entre tantos outros exemplos).

A sabedoria popular tem uma expressão que reflecte bem o mau serviço público que a informação presta sempre que há um atentado terrorista do daesh: "o que é demais cheira mal".

Alguns dos jornalistas que acusaram e criticaram camaradas seus pela divulgação do vídeo com propaganda terrorista deviam olhar um pouco para o contributo que prestaram à causa extremista islâmica com as coberturas dos atentados na Catalunha.

É que isto de haver telhados de vidro é uma chatice.

Não aprendemos... é escusado

por mparaujo, em 17.08.17

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Definitivamente e por teimosia. É triste ver o jornalismo transformado num mero debitar de informação desconexa e sem critérios ou com critérios duvidosos.

Já não basta a forma como a imprensa aborda a tragédia dos incêndios, concretamente com os directos que são realizados.

Hoje, há poucas horas, Barcelona (Espanha) sofreu um atentado terrorista depois de uma carrinha (com três ocupantes... dois estão em fuga e um barricado num restaurante turco) ter entrado, por 500 metros, num espaço pedonal e ter atropelado várias pessoas (para já - 18:15 horas, por fonte oficial, um morto e 32 feridos). Falta que as entidades apurem os motivos, quem são os autores (pelo modus operandi afigura-se que seja o Daesh) e apanhem os culpados.

O que não se percebe é que pela "milésima vez" a comunicação social mantenha uma incapacidade enorme em perceber que é possível informar e noticiar, com rigor e clareza, sem se cair no principal objectivo dos terroristas: mediatismo, publicidade, demonstrarem que é possível criar o pânico, o medo, a insegurança, cortar com a normalidade do dia-a-dia.

É assim tão difícil, tal como a polícia catalã o solicitou, que não sejam transmitidas imagens das vítimas, nem dos impactos do atentado?

É assim tão difícil perceber que horas e horas, repetidas e cíclicas, sobre os factos não traz e não acrescenta, por si só, nada de novo e relevante à notícia e à informação?

Não se aprendeu nada com exemplos passados... muito gostamos de errar... só porque sim.

Vem-me sempre à memória uma frase de um meu estimado professor universitário: "há uma colossal diferença entre o que é o 'interesse público' da informação e o que é o banal 'interesse do público' para a informação". Sempre.

(fonte da foto: Quique Garcia /EPA, in TSF)

Já não dá para conter mais...

por mparaujo, em 16.08.17

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Gostava tanto de evitar escrever isto... mas já não há volta a dar, não é possível manter por mais tempo o silêncio.

Por razões de formação tenho uma relação de profunda empatia pelo jornalismo, com um misto de frustração (assim mesmo, com esse peso semântico) por não exercer, directamente, a profissão.

Além disso, tenho, pelos profissionais e pelas redacções, o maior respeito, solidariedade e reconhecimento pelo trabalho que é desenvolvido, restando-me as críticas como forma de reflexão, como forma de análise, e nunca personificando qualquer contexto ou realidade.

Não posso é permanecer indiferente à forma como tem sido feito a cobertura do flagelo dos incêndios, nomeadamente pela forma como alguns, repito alguns, jornalistas se têm exposto ao perigo, têm assumido uma postura completamente inconsciente, seja do ponto de vista profissional, seja do ponto de vista pessoal.

Um(a) jornalista com um fogo como pano de fundo, a escassos metros do local onde faz o directo; um(a) jornalista em pleno epicentro de um incêndio, mais preocupado(a) com o momento em que terá que fugir do que com a informação a dar; um(a) jornalista que passa a ser o foco da notícia durante minutos a fio, mais preocupado com a mangueira dos bombeiros ou com os medicamentos de uma idosa, esquecendo por completo (em directo) o seu papel de informar; um(a) jornalista a fazer de um directo um relato de futuebol... NÃO É JORNALISMO! PONTO!

Pode ser reality show, irresponsabilidade, mediatismo, divertimento ou entretenimento para massas, é transformar o jornalista em notícia... mas em NADA, em nada mesmo, acrescenta valor à informação, valoriza a notícia, é jornalismo. Antes pelo contrário.

Mais ainda... hoje ouvi uma repórter, em pleno "teatro das operações", em completo pânico, a revelar minutos depois que por milagre (?????) não houve vítimas. No dia, espero que nunca chegue, houver uma tragédia num jornal, rádio ou televisão, não vai faltar quem chore, quem lamente, quem diga que a profissão é um risco, que alguém faleceu no exercício do dever profissional. DESCULPEM... não me peçam para dar para esse "peditório".

Se um(a) jornalista sente, no momento e face ao contexto, a vontade, o impulso ou a necessidade de ser útil, de ajudar, de intervir, pousa o microfone, desliga a câmara e entra em acção. É simples (o que aliás já aconteceu com uma jornalista da RTP, por exemplo).

Há zonas de segurança perfeitamente enquadráveis, há postos de comando com informação suficiente e onde podem ser feitas as peças (em directo ou não), há mil e uma pessoas e entidades para entrevistar.

Jornalistas e Jornalismo disfarçados de "nadadores-salvadores" a saírem do mar ao jeito de baywatch (Marés Vivas) não é INFORMAÇÃO. Perfeitamente dispensável.

Não consegui resistir...