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In... prensa

Olhares sobre a comunicação social... "posso não concordar com nenhuma das palavras que disser, mas defenderei até à morte o seu direito de as dizer."

De novo (infelizmente, sempre) a crise...

por mparaujo, em 18.11.19

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Seja em que área for, a sociedade vai, amiúde, criando estes constrangimentos nas diversas actividades profissionais e económicas: a sustentabilidade vs a empregabilidade.
Apesar da taxa de desemprego (pelo menos a leitura feita através do número de subsidiários de desemprego) ter baixado significativamente, a verdade é que os despedimentos são ainda um flagelo social, familiar e pessoal.

O jornalismo não foge à regra. Por inúmeros factores, todos eles conhecidos, avaliados e discutidos, e praticamente não combatidos (antes pelo contrário): os avanços tecnológicos, os efeitos e impactos das redes sociais, as multiplataformas comunicacionais, a facilidade com que os cidadãos acedem à informação (mesmo sem filtro), a monopolização de sectores, o economicismo da imprensa (das administrações e tutelas) e a sua sustentabilidade, as questões éticas, deontológicos e do desempenho profissional, etc., etc., etc. Nada disto é novo... tudo isto é "fado".

Os casos são conhecidos: dispensas no Público, Porto Canal, JN e DN, a preocupante "opa" da Cofina à Media Capital... profissionais (cada vez mais) que optam por outro percursos (na área ou fora dela). Muito recentemente, a surpresa da saída do amigo Miguel Marujo dos quadros do DN.
A realidade voltou "à estampa" com o prematura, surpreendente e inexplicada saída da direcção da TSF do (aveirense) jornalista Arsénio Reis, trazendo à memória dos profissionais desta rádio o terrível ano de 2014 no qual foram dispensados, pela Global Media Group, cerca de 160 profissionais, dos quais 40% eram jornalistas.

Mas a para de todas as realidades e de todos os contextos que colocam em causa (demasiadas vezes) a sustentabilidade do jornalismo, das empresas e dos profissionais, e que colocam em causa a própria democracia e o Estado de Direito (sem jornalismo fica vazio), há um dado que tem sido muito pouco abordado e que me parece pesar em toda esta problemática: porque é que as pessoas deixaram de ler jornais? porque é que as pessoas deixaram de ouvir rádio? porque é que as pessoas preferem Big Brothers à informação televisiva?

Enquanto profissional na área, nomeadamente na assessoria e coordenação da comunicação autárquica, há uma razão evidente e objectiva: os jornais nacionais, as rádios nacionais, as televisões nacionais, deixaram o ónus da comunicação (noticias/informação) local e regional para a Imprensa (sentido lacto) Local, sendo que esta tem um enorme défice de sustentabilidade e viabilidade. As notícias, a informação, nos órgãos de comunicação social nacional, está restringida, na sua maioria dos casos (diria que 90%), a Lisboa e, em menor grau, ao Porto.
E a questão, interrogação, é muito simples e óbvia: para quê comprar um jornal, para quê ouvir uma rádio, para quê ligar a uma televisão, se as noticias (factos e realidades) que estão mais próximas dos cidadãos não aparecem, não são tratadas, não são publicitadas?

Seria muito bom que na Comunicação Social, no jornalismo, o país não fosse só Lisboa e Porto e o resto mera paisagem (que só é vista, maioritariamente, quando há tragédias).

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